Ao realizar a ultrassonografia morfológica de 1º trimestre, é constatado que essa paciente tem alto risco de desenvolver préeclâmpsia ao longo da gestação. Diante dessa situação, a melhor orientação para ela é:
- A)restringir a ingesta de sódio;
Errada: restringir sódio não previne pré-eclâmpsia e não é conduta de rotina na gestação.
- B)fazer repouso domiciliar no leito;
Errada: repouso domiciliar no leito não tem benefício comprovado na prevenção e ainda pode trazer riscos.
- C)começar o uso de metildopa;
Errada: metildopa é usada no tratamento da hipertensão, não como profilaxia de pré-eclâmpsia.
- D)programar o parto com 37 semanas de gestação;
Errada: programar o parto com 37 semanas é medida de manejo de casos já acompanhados, não prevenção no 1º trimestre.
- E)começar a usar AAS antes da 16ª semana de gestação.
Certa: o AAS em baixa dose iniciado antes da 16ª semana reduz o risco de pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco.
Gabarito: E
Na pré-eclâmpsia, a ideia não é sair prescrevendo remédio para todo mundo, nem entrar no modo “repouso absoluto e vida em suspensão”. O ponto principal é identificar quem tem maior risco ainda no 1º trimestre e fazer profilaxia correta. Entre as medidas com melhor evidência, o uso de ácido acetilsalicílico em baixa dose é a principal estratégia preventiva para gestantes de alto risco. Por isso, quando a ultrassonografia morfológica do 1º trimestre sugere alto risco de pré-eclâmpsia, a conduta orientada é iniciar AAS antes da 16ª semana, idealmente entre 12 e 16 semanas, porque o benefício é maior quando a intervenção começa cedo. A lógica é reduzir a chance de alteração placentária e, com isso, diminuir a incidência da doença e suas complicações. As recomendações de sociedades como a FEBRASGO e protocolos obstétricos amplamente usados no Brasil apontam o AAS em baixa dose para gestantes com alto risco, especialmente quando iniciado precocemente. Em geral, ele é mantido até perto do final da gestação, conforme o protocolo adotado pelo serviço. Então, quando a banca fala em alto risco de pré-eclâmpsia no 1º trimestre, pense em prevenção baseada em evidência, não em medidas intuitivas que parecem “cuidadosas”, mas não mudam desfecho. Aqui, o detalhe da idade gestacional é decisivo: antes da 16ª semana é a janela mais útil.