Gestante com 32 semanas, sem doenças prévias e com pré-natal sem intercorrências até o momento, chega à emergência obstétrica com cefaleia que não melhorou com uso de dipirona e sem outras queixas. Ao exame clínico foi constatada pressão arterial de 170 x 110 mmHg. O útero estava com tônus normal, sem atividade contrátil. O batimento cardíaco fetal estava em 144 bpm. Foi internada e a pressão arterial continuou elevada nas 24 horas seguintes. Os exames laboratoriais evidenciaram hematócrito de 34%, contagem de plaquetas em 60.000, creatinina plasmática de 1,5 mg/dL e proteinúria de 130 mg/24 horas. O diagnóstico mais provável diante desse quadro é
- A)pielonefrite.
Errada: pielonefrite costuma cursar com febre, dor lombar e sintomas urinários, não com hipertensão grave e plaquetopenia.
- B)pré-eclâmpsia.
Certa: há hipertensão após 20 semanas com cefaleia e sinais de lesão de órgão-alvo, como plaquetas baixas e creatinina elevada, compatíveis com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade.
- C)hipertensão gestacional.
Errada: hipertensão gestacional não deve apresentar proteinúria nem sinais de disfunção orgânica, que estão presentes aqui.
- D)descolamento prematuro da placenta.
Errada: descolamento prematuro de placenta costuma causar dor abdominal, sangramento e hipertonia uterina, o que não foi descrito.
- E)eclampsia.
Errada: eclâmpsia exige convulsões ou coma, e a paciente apresentou cefaleia, mas não crise convulsiva.
Gabarito: B
Esse quadro aponta para uma síndrome hipertensiva da gestação com sinais de gravidade. A paciente tem hipertensão importante após 20 semanas, cefaleia persistente e, principalmente, lesão de órgão-alvo nos exames: plaquetas em 60.000 e creatinina elevada. Isso tira a história da faixa da hipertensão gestacional simples e coloca a paciente no território da pré-eclâmpsia grave. Na prática, hipertensão gestacional é quando a pressão sobe depois da 20ª semana, mas sem proteinúria e sem sinais de disfunção de órgãos. Já a pré-eclâmpsia é hipertensão associada a proteinúria ou, mesmo sem proteinúria significativa, a sinais de gravidade como trombocitopenia, insuficiência renal, alteração hepática, edema pulmonar, sintomas neurológicos ou dor epigástrica. Aqui, a proteinúria até não impressiona, mas isso não atrapalha o diagnóstico, porque os critérios atuais não exigem proteinúria obrigatoriamente. A cefaleia que não melhora com analgésico é um sinal de alerta clássico, e a plaquetopenia importante reforça o quadro. A creatinina de 1,5 mg/dL também mostra comprometimento renal, outro marcador de gravidade. Ou seja: não é só pressão alta teimosa, é hipertensão com órgão sofrendo. Eclâmpsia exigiria convulsões, o que não aconteceu. Descolamento prematuro de placenta daria mais dor abdominal, sangramento e hipertonia uterina. Portanto, o diagnóstico mais provável é pré-eclâmpsia, bem no estilo FGV: misturou sintomas neurológicos, plaquetas baixas e rim alterado, você pensa em doença hipertensiva da gestação grave.