Um paciente de 56 anos encontra-se internado no CTI devido a dor abdominal de início há 36 horas, com diagnóstico de litíase biliar confirmado na ultrassonografia abdominal da admissão e amilase sérica aumentada 3 vezes o limite normal. Apresenta bilirrubinemia aumentada à custa de direta e a creatinina sérica levemente tocada. Está estável hemodinamicamente e ventila com suporte de O2 em máscara com 40% de FiO2 e saturação de 95%. A abordagem a ser realizada em sequência é
- A)iniciar hidratação venosa para manter a microcirculação pancreática.
Correta: a hidratação venosa precoce é a principal medida inicial de suporte na pancreatite aguda, ajudando a preservar a perfusão e a evitar piora renal e hemodinâmica.
- B)iniciar imediatamente o curso de antibioticoterapia.
Errada: antibiótico não deve ser iniciado de forma imediata na pancreatite aguda sem evidência de infecção ou necrose infectada.
- C)considerando-se o tempo de início do quadro, avaliar a possibilidade de necrose por intermédio de uma ressonância magnética de abdome.
Errada: a avaliação de necrose por imagem não é a próxima conduta de rotina na fase inicial, e geralmente não muda a abordagem imediata.
- D)Iniciar imediatamente uma nutrição enteral.
Errada: a nutrição enteral é importante na evolução, mas não é a primeira medida urgente em um paciente que ainda precisa de estabilização clínica.
- E)verificar se o escore SOFA desse paciente é 7.
Errada: calcular SOFA pode ser útil para gravidade em UTI, mas não define a conduta imediata específica diante deste quadro de pancreatite aguda.
Gabarito: A
O quadro é de pancreatite aguda biliar: dor abdominal, amilase 3 vezes acima do normal e litíase biliar na ultrassonografia. Nessa fase inicial, a prioridade não é “caçar complicação” em exame sofisticado nem sair atirando antibiótico, mas fazer suporte clínico bem feito, com hidratação venosa vigorosa para restaurar a volemia e ajudar a manter a perfusão, inclusive da microcirculação pancreática. Isso reduz risco de hipoperfusão, piora renal e evolução desfavorável. Na pancreatite aguda, as primeiras horas contam muito. O paciente já mostra um sinal de alerta renal discreto com creatinina “tocada”, então reforçar volume é ainda mais importante. Em geral, usa-se cristalóide isotônico, com reavaliação frequente de diurese, hematócrito, ureia e sinais de congestão. Ou seja: tratar cedo, monitorar de perto e ajustar a mão, porque CTI não é lugar de “encher o paciente no automático”. Antibiótico não é rotina na pancreatite aguda não infectada, e imagem para necrose costuma ter papel em casos selecionados, geralmente após alguns dias, quando a necrose e suas complicações ficam mais bem definidas. Nutrição enteral é fundamental quando possível, mas a conduta imediata depende da estabilidade e da evolução clínica. Portanto, diante de pancreatite biliar aguda estável, a próxima medida adequada é hidratação venosa para suporte hemodinâmico e pancreático.