A Medicina Baseada em Evidências (MBE) é uma técnica específica para atestar, com o maior grau de certeza, a eficiência, as efetividades e a segurança de produtos, tratamentos, medicamentos e exames que foram objeto de diversos estudos científicos, de modo a permitir que os progressos das pesquisas médicas sejam transpostos para a prática. O fenômeno da judicialização da saúde exige que os atores do sistema de Justiça se apoiem na interdisciplinaridade para análise dos casos, e a MBE é um poderoso instrumento para a resolução das demandas em que são postulados medicamentos, tratamentos, próteses e/ou outras tecnologias. Entre as opções a seguir, assinale a que determina maior nível de evidência de efetividade.
- A)Opinião de especialistas.
Errada, porque opinião de especialistas é evidência fraca e subjetiva, sem o mesmo controle de vieses dos estudos comparativos.
- B)Estudo de série de casos ou consecutivos.
Errada, porque série de casos apenas descreve pacientes e desfechos, sem grupo controle adequado para avaliar efetividade.
- C)Estudos de coorte.
Errada, porque estudos de coorte são observacionais e ajudam a associar exposição e desfecho, mas não são o desenho mais forte para testar intervenção.
- D)Estudos de caso e controle.
Errada, porque caso-controle também é observacional e é mais útil para investigar associação e fatores de risco do que efetividade de tratamento.
- E)Ensaio clínico randomizado.
Certa, porque o ensaio clínico randomizado é o desenho mais robusto entre as alternativas para avaliar efetividade, reduzindo vieses pela randomização e comparação entre grupos.
Gabarito: E
A lógica da Medicina Baseada em Evidências é simples: quanto mais robusto o desenho do estudo para testar uma intervenção, maior a confiança de que o resultado observado tem relação com a própria intervenção, e não com acaso ou vieses. Em questões de hierarquia de evidências, a banca costuma colocar desenhos mais “observacionais” ao lado de estudos experimentais para ver se você separa bem o que apenas descreve daquilo que realmente testa eficácia. Quando o assunto é efetividade de tratamento, o ensaio clínico randomizado ocupa lugar de destaque porque compara grupos semelhantes, distribuídos de forma aleatória, reduzindo vieses e confundimento. Isso dá muito mais força para concluir se um medicamento, procedimento ou tecnologia realmente funciona. Em linguagem de prova: é o tipo de estudo mais forte entre as alternativas apresentadas para aferir efetividade. Já opinião de especialistas é o degrau mais fraco, porque depende de experiência e julgamento, não de comparação sistemática. Estudo de caso e controle e estudo de coorte são importantes, mas são observacionais e, portanto, não têm o mesmo poder de demonstrar causalidade e eficácia de uma intervenção que um ensaio clínico randomizado. Na prática de concurso, vale lembrar a escadinha clássica da evidência: opinião de especialista fica embaixo, estudos observacionais no meio e ensaio clínico randomizado acima deles quando a pergunta é sobre intervenção. É por isso que o gabarito é a letra E.