Paciente com sorologia HIV positiva tem carga viral de 2200 cópias/mL. Com o objetivo de diminuir a transmissão vertical do HIV, a melhor conduta, entre as listadas a seguir, é
- A)cesariana eletiva após 38 semanas.
Certa: com carga viral acima de 1000 cópias/mL, a conduta para reduzir transmissão vertical é cesariana eletiva antes do trabalho de parto, usualmente após 38 semanas.
- B)indução do parto com 37 semanas.
Errada: indução com 37 semanas não é a melhor estratégia quando a carga viral está elevada, pois a via vaginal aumenta o risco de transmissão.
- C)cesariana eletiva com 32 semanas.
Errada: cesariana com 32 semanas expõe o feto à prematuridade sem ser a indicação padrão para prevenção de transmissão vertical.
- D)indução do parto com 34 semanas.
Errada: antecipar o parto para 34 semanas também aumenta risco neonatal desnecessariamente e não é a conduta recomendada só por HIV com carga viral alta.
- E)cesariana na fase ativa do trabalho de parto.
Errada: cesariana na fase ativa do trabalho de parto perde o principal benefício preventivo, que é evitar a exposição prolongada durante o parto.
Gabarito: A
Na gestação com HIV, o objetivo principal é reduzir a transmissão vertical, e isso depende muito da carga viral perto do parto. Quando a carga viral está acima de 1000 cópias/mL, a conduta recomendada é programar cesariana eletiva antes do início do trabalho de parto e antes da ruptura das membranas. A ideia é simples: menos tempo de exposição do bebê ao sangue e às secreções maternas, menor chance de transmissão. Neste caso, a paciente tem carga viral de 2200 cópias/mL, ou seja, acima do ponto de corte que orienta a via alta. Por isso, a melhor conduta é a cesariana eletiva após 38 semanas. Esse é o padrão clássico ensinado em obstetrícia e compatível com as recomendações do Ministério da Saúde e das diretrizes usuais: carga viral > 1000 cópias/mL perto do termo favorece cesárea programada. Se a carga viral estivesse bem controlada, especialmente abaixo de 1000 cópias/mL e com tratamento adequado, o parto vaginal poderia ser considerado. Mas aqui não é o caso. Também não faz sentido antecipar demais a gestação sem indicação obstétrica, porque isso aumenta prematuridade sem trazer ganho claro para a prevenção da transmissão. Resumo de prova: HIV na gestante + carga viral elevada = cesariana eletiva no termo, antes do trabalho de parto. Em outras palavras, o bebê não precisa participar do "maratona" do parto quando a via mais segura já está definida.