Todos os anos ocorrem no Brasil surtos ou verdadeiras epidemias de dengue. Pacientes com a doença e com sinais de alarme devem ser internados para observação de suas complicações, uma das quais é a plaquetopenia. Acerca da transfusão profilática de plaquetas nessa doença, assinale a afirmativa correta.
- A)O valor laboratorial indicado pela literatura é < 50.000.
Errada, porque na dengue nao existe indicacao de transfusao profilatica baseada em um corte laboratorial de 50.000 plaquetas.
- B)O valor laboratorial indicado pela literatura é < 30.000.
Errada, pois o limiar de 30.000 nao define beneficio para transfusao preventiva nessa situacao.
- C)O valor laboratorial indicado pela literatura é < 20.000.
Errada, porque nem mesmo abaixo de 20.000 ha evidencia de ganho com transfusao profilatica de plaquetas na dengue sem sangramento relevante.
- D)O valor laboratorial indicado pela literatura é < 10.000.
Errada, já que 10.000 pode sugerir gravidade em outros contextos, mas na dengue isso nao autoriza transfusao profilatica rotineira por si so.
- E)Não há benefícios na transfusão profilática de plaquetas nessa população.
Certa, porque nao ha beneficio comprovado da transfusao profilatica de plaquetas em pacientes com dengue apenas com plaquetopenia, sem sangramento grave.
Gabarito: E
Na dengue, a plaquetopenia assusta no hemograma, mas isso nao significa que voce deva sair transfundindo plaquetas automaticamente. O ponto central eh que, na maioria dos casos, a queda de plaquetas reflete o curso da infeccao viral e nao se corrige com transfusao profilatica de forma util. Estudos e diretrizes mostram que, para o paciente com dengue sem sangramento grave, a transfusao preventiva de plaquetas nao reduz complicacoes nem previne sangramentos relevantes, e ainda expõe a riscos e uso desnecessario de hemocomponentes. Por isso, a conduta em dengue com sinais de alarme eh vigilancia clinica, hidratacao adequada e monitorizacao de sangramento, hematocrito e plaquetas, e nao transfusao baseada apenas em numero baixo de plaquetas. O tratamento transfusional fica reservado para situacoes de sangramento importante, hemorragia com repercussao clinica ou necessidade muito bem justificada, e nao simplesmente por contagem baixa isolada. A literatura e as diretrizes de manejo da dengue sao claras ao apontar que a transfusao profilatica de plaquetas nao traz beneficio nessa populacao. Em prova, a banca costuma tentar fazer voce pensar em cortes de 50.000, 30.000, 20.000 ou 10.000, como se existisse um limiar magico universal. Na dengue, a logica eh outra: o numero isolado engana mais do que ajuda. Assim, o gabarito correto eh a alternativa E, porque nao ha beneficio comprovado na transfusao profilatica de plaquetas em pacientes com dengue apenas por plaquetopenia, sem sangramento significativo.