Dos 2.295 militares que participaram de treinamentos no Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti (CIMNC), na Zona da Mata de Pernambuco, entre julho e agosto de 2006, 71 apresentaram, em um período médio de 33,6 dias após o treinamento militar, lesões cutâneas que variavam de 0,3 a 2,5 cm de diâmetro, localizadas nas regiões da face, pavilhão auricular, mãos, região dos braços e antebraços, punho, pescoço. Em 92,9% dos militares (66/71), as lesões eram únicas; os 7,1% restantes (5/71) apresentavam duas lesões. As lesões se originaram como pápulas, evoluindo, em poucas semanas, para nódulos e úlceras, usualmente indolores, com base de tecido necrótico e bordas elevadas e induradas. Foi notada a presença de linfonodo satélite em vários casos. Das 23 biópsias e punções aspirativas de lesões, obteve-se 7 isolados, que foram identificados como Leishmania (Viannia) braziliensis, sorodemo 1, através do perfil de reações com anticorpos monoclonais específicos. De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil, entre as drogas ou associação de drogas abaixo listadas, aquela indicada para o tratamento dos militares acometidos é
- A)antimoniato de meglumina.
Certa: é o tratamento de primeira linha para leishmaniose tegumentar americana cutânea no protocolo do Ministério da Saúde.
- B)isetionato de pentamidine.
Errada: a pentamidina é alternativa em alguns cenários, mas não é a droga padrão do caso descrito.
- C)anfotericina B lipossomal.
Errada: anfotericina B lipossomal fica para situações especiais, como intolerância, falha terapêutica ou maior gravidade.
- D)desoxicolato de anfotericina B.
Errada: o desoxicolato de anfotericina B é opção terapêutica, mas tem mais toxicidade e não é a escolha inicial habitual.
- E)antimoniato de meglumina + pentoxifilina.
Errada: a pentoxifilina pode ser adjuvante em alguns casos, mas a associação não é a conduta indicada de rotina aqui.
Gabarito: A
O quadro descrito é bem típico de leishmaniose tegumentar americana, causada por Leishmania (Viannia) braziliensis. A história ajuda muito: militares em área de mata, lesões cutâneas após algumas semanas, pápula que vira nódulo e depois úlcera indolor, com bordas elevadas e induradas, às vezes com linfonodo satélite. É a lesão que a banca gosta de chamar de “úlcera de fundo limpo e bordas infiltradas”, quase um carimbo da doença. No Brasil, o Ministério da Saúde orienta que o tratamento de primeira linha para a forma cutânea localizada, em pacientes sem contraindicação, é o antimoniato de meglumina. Ele continua sendo a opção clássica e mais cobrada em prova para leishmaniose tegumentar. A lógica é: caso típico, agente típico, tratamento padrão do protocolo. Sem firula. As outras opções entram mais quando há contraindicação ao antimonial, toxicidade, falha terapêutica, formas mucosas, disseminadas ou situações especiais. Pentamidina, anfotericina B lipossomal e desoxicolato são alternativas importantes, mas não são a escolha padrão para esse cenário descrito. A associação com pentoxifilina pode aparecer como adjuvante em situações selecionadas, especialmente em doença mucosa, mas não é a conduta principal aqui. Então, o gabarito A está correto porque a descrição clínica e epidemiológica aponta para leishmaniose tegumentar localizada por L. braziliensis, e o tratamento recomendado em protocolo do Ministério da Saúde é o antimoniato de meglumina.