Em uma criança de 5 anos de idade que apresentou há seis meses um quadro de infecção urinária associada a febre elevada foi indicada a realização de uma cintilografia com 99mTc-DMSA. O exame demonstrou a presença de um defeito extenso de captação no polo superior do rim esquerdo. A melhor interpretação desse achado é:
- A)o exame é compatível com hipertensão renovascular.
Errada: hipertensão renovascular não é diagnosticada por um defeito focal de captação no DMSA, que indica lesão cortical, não problema vascular.
- B)o exame sugere a presença de má formação renal.
Errada: má-formação renal pode até entrar no diferencial, mas após ITU febril o defeito cortical no DMSA sugere muito mais cicatriz adquirida.
- C)a cintilografia com 99mTc-DMSA não deve ser realizada em crianças pois tem alta taxa de falsos positivos.
Errada: o 99mTc-DMSA é amplamente utilizado em pediatria para avaliar lesão cortical renal e não tem essa limitação descrita.
- D)o exame é indicativo da necessidade de transplante renal.
Errada: transplante renal é indicado em insuficiência renal terminal, o que não é inferido por um defeito segmentar de captação.
- E)o exame demonstra uma imagem compatível com uma cicatriz no parênquima renal.
Certa: um defeito de captação no DMSA corresponde a área de cicatriz, com perda ou redução da função cortical naquela região.
Gabarito: E
A cintilografia renal com 99mTc-DMSA é um exame muito usado na pediatria para avaliar o parênquima renal, principalmente depois de uma infecção urinária febril. O DMSA se fixa no córtex do rim, então áreas que perderam função ou sofreram lesão aparecem como defeitos de captação. Em uma criança que teve pielonefrite há meses, esse achado costuma representar sequela do processo infeccioso, e não um problema agudo do momento. Quando o exame mostra um defeito extenso em um polo renal, a interpretação mais clássica é de cicatriz renal. Isso acontece porque a infecção pode deixar fibrose e perda de tecido cortical naquela região. Na prática, é como se o rim tivesse ficado com uma “marca” do episódio anterior. A topografia no polo superior é compatível com essa sequela, especialmente após um quadro de febre alta e ITU complicada. Esse exame não serve para dizer que a criança tem hipertensão renovascular, nem para concluir má-formação renal por si só. Também não é um exame proibido em criança, muito pelo contrário: ele é um dos métodos mais sensíveis para detectar dano cortical pós-pielonefrite. Portanto, o achado descrito aponta para cicatriz no parênquima renal, que é exatamente a lógica da alternativa correta.