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Medicina · FGV · 2025

Questão comentada de Medicina

Um paciente de 40 anos chega ao hospital após uma queda do segundo andar, tendo sofrido um impacto direto na cabeça. Ele está consciente, mas apresenta dor de cabeça intensa e náuseas. Ao exame físico, observa-se uma pequena laceração na região frontal com leve edema, sem sinais de fratura exposta. O paciente tem Glasgow Coma Scale (GCS) de 13, com confusão mental e dificuldade para responder a perguntas simples. A tomografia computadorizada (TC) de crânio revela um hematoma intracraniano, sem sinais de herniação. Não há fraturas cranianas evidentes. O paciente começa a apresentar piora do nível de consciência nas horas seguintes. A respeito do tratamento do traumatismo cranioencefálico, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: D

No traumatismo cranioencefálico, a primeira ideia é simples: manter o cérebro perfundido e evitar qualquer coisa que aumente a pressão intracraniana. Por isso, a condução inicial costuma priorizar oxigenação, pressão arterial adequada, cabeça elevada e medidas para controlar edema e sangramento, sempre com vigilância neurológica. O paciente descrito piora nas horas seguintes, o que exige atenção porque hematoma intracraniano pode evoluir mesmo sem herniação inicial. Aqui entra o ponto clássico de prova: o manitol pode ser usado para reduzir a pressão intracraniana, mas ele não deve ser administrado em paciente hipotenso. Isso porque o manitol faz diurese osmótica e pode piorar a volemia e a pressão arterial, reduzindo a pressão de perfusão cerebral. Em outras palavras: se a pressão já está baixa, você não quer dar um empurrãozinho para ela cair mais. Então, a alternativa D está correta porque reconhece essa limitação do manitol no trauma craniano com hipotensão. Em pacientes hemodinamicamente instáveis, o foco deve ser corrigir a pressão arterial e a perfusão antes de apostar em terapia osmótica. Esse é um princípio bem cobrado em cirurgia geral e em emergência: evitar terapias que baixem ainda mais a perfusão cerebral. As demais alternativas trazem erros clássicos sobre fluidos, ventilação e anticonvulsivantes. Em TCE, a banca gosta de testar condutas que parecem sofisticadas, mas que na prática pioram o desfecho se usadas sem critério. Aqui, o raciocínio certo é sempre: preservar perfusão, evitar hipotensão e usar as medidas para hipertensão intracraniana com cautela.

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