Paciente, 85 anos, hipertenso e diabético, apresentou um episódio súbito de fraqueza em membro superior esquerdo e dificuldade para expressar-se verbalmente. Houve melhora espontânea do quadro em vinte e cinco minutos, sem nenhuma sequela. Procurou uma Unidade de Pronto-Atendimento para avaliação pois ficou preocupado com os sintomas apresentados. Lá se constatou que seus níveis tensionais estavam alterados (sua pressão arterial era de 200 x 120 mmHg). Entre as opções listadas a seguir, o diagnóstico mais provável desse paciente é
- A)acidente vascular cerebral hemorrágico.
Errada, porque AVC hemorrágico costuma causar sintomas persistentes e não um déficit focal que regride completamente em 25 minutos.
- B)migrânea com aura.
Errada, porque migrânea com aura geralmente tem fenômenos visuais ou sensitivos e curso mais compatível com aura migranosa do que com déficit focal isquêmico súbito em idoso vascular.
- C)déficit neurológico isquêmico reversível
Embora remeta ao mesmo conceito, a banca costuma preferir a nomenclatura atual de ataque isquêmico transitório; como alternativa de prova, esta fica menos adequada que a D.
- D)ataque isquêmico transitório.
Certa, porque houve início súbito de déficit neurológico focal com resolução completa em curto tempo, quadro clássico de ataque isquêmico transitório.
- E)crise epiléptica
Errada, porque crise epiléptica costuma trazer convulsão, rebaixamento pós-ictal ou sinais compatíveis com evento elétrico cerebral, não um déficit focal vascular transitório típico.
Gabarito: D
O quadro descrito é bem típico de um ataque isquêmico transitório, o famoso AIT: começa de forma súbita, provoca déficit neurológico focal e melhora completamente em pouco tempo. Aqui, ele teve fraqueza em membro superior esquerdo e dificuldade para falar, ou seja, sinais focais bem sugestivos de evento vascular, mas tudo regrediu em 25 minutos, sem sequela. Isso praticamente acende a luz amarela do AIT na hora. A lógica é simples: se houve déficit neurológico súbito, focal e reversível, pense primeiro em isquemia transitória. Na prática, o AIT é um aviso de que o cérebro “passou aperto”, mas conseguiu se recuperar antes de ocorrer infarto cerebral estabelecido. Por isso, mesmo com melhora espontânea, o caso não deve ser minimizado, porque o risco de AVC nos dias seguintes é relevante e exige investigação e prevenção secundária. A alternativa D está correta porque descreve exatamente esse evento transitório, sem persistência dos sintomas. A expressão “déficit neurológico isquêmico reversível” é uma forma antiga, usada em muitos livros para o mesmo quadro, mas a nomenclatura mais atual e cobrada é ataque isquêmico transitório. Em diretrizes neurológicas, o conceito moderno considera AIT como episódio transitório de disfunção neurológica por isquemia, sem lesão infartada evidente. A pressão de 200 x 120 mmHg preocupa, mas não muda o diagnóstico principal do episódio já resolvido. Ela reforça o perfil vascular do paciente e aumenta a urgência da avaliação, mas o enunciado quer mesmo que você reconheça o padrão clínico de AIT e não confunda com AVC estabelecido, crise convulsiva ou enxaqueca.