Paciente submetido a trabeculectomia evoluiu com aumento da pressão intraocular, câmara anterior rasa, Seidel negativo, bolha fistulizante ausente, não funcionante com iridectomia patente. Diante desse quadro clínico, suspeita-se de:
- A)descolamento de coroide;
Descolamento de coroide pode ocorrer no pós-operatório e até cursar com câmara rasa, mas não explica tão bem o quadro de aumento da pressão com iridectomia patente e sem vazamento.
- B)rotação do corpo ciliar;
Correta, porque a rotação do corpo ciliar pode causar câmara anterior rasa e hipertensão ocular após trabeculectomia, sem Seidel positivo e com iridectomia ainda aberta.
- C)glaucoma agudo;
Glaucoma agudo costuma vir por bloqueio pupilar ou fechamento angular, mas aqui a iridectomia está patente e isso torna essa hipótese improvável.
- D)falha de filtração;
Falha de filtração é uma possibilidade genérica quando a bolha não funciona, porém não explica sozinha a câmara anterior rasa com o perfil anatômico descrito.
- E)bloqueio pupilar.
Bloqueio pupilar fica menos provável porque a iridectomia está patente, o que deveria permitir a comunicação entre as câmaras e evitar esse mecanismo.
Gabarito: B
Depois de uma trabeculectomia, o olho pode descompensar por vários motivos, e a dica aqui está no conjunto: pressão intraocular subindo, câmara anterior rasa, teste de Seidel negativo, bolha filtrante ausente e iridectomia ainda patente. Quando não há vazamento da ferida e o orifício iridectômico está aberto, o problema deixa de ser saída de humor aquoso por bloqueio pupilar e aponta para um mau funcionamento do mecanismo de filtração por trás da íris. Nesse cenário, a suspeita clássica é rotação do corpo ciliar. Ao rolar ou rodar para anterior, o corpo ciliar empurra a íris e favorece o fechamento do espaço interno de drenagem, deixando a câmara anterior rasa e a pressão subir, mesmo sem sinal de extravasamento externo. É uma complicação menos intuitiva, mas bem cobrada porque parece “falha da cirurgia” em geral, quando na verdade o detalhe anatômico muda tudo. O Seidel negativo ajuda a afastar vazamento pela ferida cirúrgica, e a ausência de bolha fistulizante mostra que a via de drenagem não está funcionando, mas isso não basta para chamar de falha simples de filtração. Se a iridectomia está patente, também fica improvável bloqueio pupilar, já que existe uma comunicação adequada entre câmara posterior e anterior. Em oftalmologia, esses detalhes pequenos mandam no diagnóstico, quase como uma prova de múltipla escolha: se você ignora um deles, cai na alternativa mais óbvia e erra bonito. Aqui, o raciocínio anatômico é o que sustenta o gabarito.