Homem de 35 anos apresenta dor ocular intensa, fotofobia, lacrimejamento e hiperemia bilateral há 5 dias. No exame, observam-se precipitados ceráticos no endotélio corneano de aspecto não granulomatoso, células na câmara anterior e pressão intraocular levemente elevada. A condição mais provável e a abordagem terapêutica inicial mais indicada são:
- A)uveíte anterior não infecciosa, com corticosteroides tópicos e midriáticos;
Correta: o quadro é de uveíte anterior não infecciosa, cujo tratamento inicial é corticosteroide tópico associado a midriático/cicloplégico.
- B)glaucoma agudo de ângulo fechado, com uso de acetazolamida oral;
Errada: glaucoma agudo de ângulo fechado costuma ter midríase fixa, córnea turva e aumento importante da PIO, sem o padrão de células na câmara anterior.
- C)episclerite, com uso de lágrimas artificiais e observação;
Errada: episclerite geralmente causa desconforto leve e pouca fotofobia, não dor intensa com sinais de inflamação intraocular.
- D)conjuntivite bacteriana, com antibioticoterapia tópica;
Errada: conjuntivite bacteriana costuma ter secreção purulenta e acometimento da conjuntiva, não precipitados ceráticos e células na câmara anterior.
- E)ceratite herpética, com antiviral tópico e oral.
Errada: ceratite herpética afeta a córnea e costuma mostrar lesão epitelial típica, não o conjunto clássico de uveíte anterior.
Gabarito: A
O quadro descrito aponta para uveíte anterior aguda: dor ocular intensa, fotofobia, lacrimejamento, hiperemia e, no exame, células na câmara anterior e precipitados ceráticos. Esses achados são clássicos de inflamação da íris e do corpo ciliar, e não de uma simples irritação conjuntival. A presença de precipitados ceráticos não granulomatosos e a pressão intraocular levemente elevada reforçam esse diagnóstico. O olho inflama, a pupila pode reagir mal e a dor costuma ser bem mais chata do que numa conjuntivite comum, que geralmente coça mais do que dói. A abordagem inicial costuma ser com corticosteroide tópico para controlar a inflamação e midriático/cicloplégico para aliviar a dor, reduzir espasmo do músculo ciliar e evitar sinequias posteriores. Então, quando a banca fala em uveíte anterior não infecciosa com corticosteroides tópicos e midriáticos, ela está descrevendo o tratamento correto do caso. Na prática, sempre é importante procurar causa associada, como doenças autoimunes, infecções e traumas, mas o primeiro passo é controlar a inflamação ocular. As outras alternativas caem em diagnósticos que não batem com o conjunto da cena clínica. Glaucoma agudo de ângulo fechado dá olho vermelho e doloroso, mas costuma ter midríase fixa, visão borrada e córnea edemaciada, em geral sem células na câmara anterior. Episclerite é bem mais leve, com dor discreta e pouca ou nenhuma fotofobia. Conjuntivite bacteriana costuma ter secreção purulenta, e ceratite herpética tende a cursar com lesão corneana, muitas vezes dendrítica, não com o padrão típico de uveíte anterior.