A denominada imunoterapia empregada no tratamento do melanoma e de diversas neoplasias metastáticas ou não, desencadeia inúmeras manifestações de autoimunidade. Na pele, ela pode desencadear buloses, entre as quais a mais frequente é
- A)a dermatite herpetiforme.
Errada, porque a dermatite herpetiforme se associa principalmente à doença celíaca e não é a bolhosa mais frequente ligada à imunoterapia.
- B)a dermatose por IgA linear.
Errada, porque a dermatose por IgA linear é uma doença bolhosa autoimune distinta e não é a associação clássica mais comum com imunoterapia.
- C)o pênfigo foliáceo.
Errada, porque o pênfigo foliáceo faz parte do grupo dos pênfigos, mas não é a bolhose autoimune mais frequente desencadeada por imunoterapia.
- D)o penfigoide bolhoso.
Certa, porque o penfigoide bolhoso é a bolhosa autoimune mais frequentemente associada aos inibidores de checkpoint usados na imunoterapia antineoplásica.
- E)o penfigoide cicatricial.
Errada, porque o penfigoide cicatricial acomete sobretudo mucosas e tende a deixar cicatrizes, sendo menos típico como manifestação bolhosa mais frequente da imunoterapia.
Gabarito: D
A imunoterapia dos cânceres, especialmente os inibidores de checkpoint imunológico, pode “soltar o freio” do sistema imune e fazer o organismo atacar não só o tumor, mas também tecidos normais. Na pele, isso gera vários eventos adversos imunomediados, e as bolhas autoimunes chamam atenção porque imitam doenças dermatológicas clássicas. Entre elas, a mais frequentemente associada a esse cenário é o penfigoide bolhoso, uma doença autoimune contra componentes da membrana basal, com formação de bolhas tensas e prurido importante. O ponto-chave da questão é reconhecer a associação entre imunoterapia e penfigoide bolhoso. Os fármacos usados em melanoma e outras neoplasias metastáticas, como anti-PD-1, anti-PD-L1 e anti-CTLA-4, podem desencadear essa dermatose bolhosa autoimune com maior frequência do que outras bolhas autoimunes. Por isso, quando a banca fala em “buloses” provocadas por imunoterapia, ela quer que você pense nesse diagnóstico primeiro. As demais alternativas são doenças bolhosas autoimunes reais, mas não são a resposta mais frequente nesse contexto. A dermatite herpetiforme se relaciona mais com doença celíaca, a dermatose por IgA linear é outra entidade distinta e menos típica do cenário de imunoterapia, e os pênfigos tendem a ter outro perfil imunopatológico, com bolhas mais flácidas e acometimento diferente. O penfigoide cicatricial, por sua vez, costuma atingir mucosas e deixar cicatriz, o que não é o quadro mais lembrado aqui. Resumo de prova: imunoterapia antineoplásica pode causar autoimunidade cutânea, e a bolhosa clássica mais cobrada é o penfigoide bolhoso. Se a banca misturar “bolha” com “cicatriz” ou com “IgA”, vale desconfiar e voltar ao que aparece com mais frequência na prática e nos relatos de farmacovigilância.