As pessoas ainda são avaliadas oportunisticamente e tratadas de acordo com os seus achados clínicos ou laboratoriais isolados, e não por meio de uma avaliação global do risco de desenvolverem doença cardiovascular. Não faz muito tempo, era comum tratar os pacientes por patologias isoladas, porém a realidade nos mostra a relação imbricada com que muitos fatores se inter-relacionam. Muitas das chamadas doenças que tratamos, na verdade, estão perdendo esse status e estão sendo reclassificadas como fatores de risco. Das condições a seguir, assinale a que é de alto risco para doença cardiovascular.
- A)Tabagismo.
Tabagismo é um importante fator de risco cardiovascular, mas não é classificado, nesta abordagem, como condição de alto risco por si só.
- B)Hipertensão arterial.
Hipertensão arterial aumenta muito o risco cardiovascular, porém é fator de risco clássico, e não a condição de alto risco pedida pela questão.
- C)Diabetes mellitus.
Diabetes mellitus é considerado condição de alto risco cardiovascular, pois eleva fortemente a chance de eventos ateroscleróticos maiores.
- D)Idade > 65 anos.
Idade maior que 65 anos aumenta o risco global, mas é um marcador de risco e não uma condição de alto risco isolada.
- E)Obesidade.
Obesidade é fator de risco relevante e frequentemente associado a outros problemas, mas não é a condição de alto risco cobrada aqui.
Gabarito: C
A ideia da questão é lembrar que nem todo fator cardiovascular entra no mesmo “pacote”. Alguns são fatores de risco importantes, mas diabetes mellitus costuma ser tratado como condição de alto risco cardiovascular, porque acelera a aterosclerose e aumenta muito a chance de infarto, AVC e doença arterial periférica. Na prática, o diabético não é visto como um paciente qualquer com um fator isolado: ele já merece uma avaliação global do risco e uma prevenção mais agressiva. Por isso, o gabarito é a letra C. Em diretrizes clássicas de estratificação de risco, o diabetes mellitus aparece como condição de alto risco, especialmente quando há lesão de órgão-alvo, longa duração da doença ou associação com outros fatores. A lógica é simples: o diabetes não é só “mais um fator”, ele funciona como um intensificador do risco vascular. As outras alternativas também importam, claro, mas ficam como fatores de risco tradicionais ou modificadores de risco, sem ocupar necessariamente essa faixa de alto risco por si sós. É o tipo de detalhe que a banca adora: ela troca um fator importante por um fator de risco de maior peso prognóstico. Em resumo: tabagismo, hipertensão, idade avançada e obesidade aumentam o risco cardiovascular, mas o diabetes mellitus é classicamente considerado uma condição de alto risco, por seu forte impacto aterotrombótico e por equivaler, em muitos cenários, a um risco cardiovascular já elevado.