Um paciente de 30 anos, com histórico familiar de doença renal policística, apresenta hipertensão arterial de difícil controle e dor lombar recorrente. A ultrassonografia abdominal revela múltiplos cistos renais bilaterais. Das seguintes afirmações sobre a doença renal policística, assinale a mais correta e informativa para o manejo desse paciente.
- A)A presença de cistos renais bilaterais em um adulto jovem com histórico familiar sugere fortemente a forma autossômica recessiva (DRPAR), que tem progressão mais rápida e pior prognóstico em comparação com a forma autossômica dominante.
Errada, porque cistos renais bilaterais em adulto jovem com história familiar sugerem DRPAD, e não a forma autossômica recessiva, que costuma começar mais cedo e ser mais grave na infância.
- B)O diagnóstico de doença renal policística autossômica dominante (DRPAD) requer necessariamente a identificação de mutações nos genes PKD1 ou PKD2.
Errada, pois o diagnóstico de DRPAD pode ser clínico e por imagem, sem exigir obrigatoriamente confirmação molecular por mutação em PKD1 ou PKD2.
- C)O controle rigoroso da pressão arterial é essencial no manejo da DRPAD.
Certa, porque o controle rigoroso da pressão arterial é fundamental na DRPAD e ajuda a reduzir progressão da doença e complicações cardiovasculares.
- D)O tratamento com tolvaptano é essencial no manejo da DRPAD.
Errada, porque o tolvaptano pode ser útil em casos selecionados, mas não é essencial para todos os pacientes com DRPAD.
- E)A presença de cistos hepáticos associados aos cistos renais indica a forma autossômica recessiva da doença.
Errada, porque cistos hepáticos são comuns na DRPAD e não indicam, por si só, a forma autossômica recessiva.
Gabarito: C
A doença renal policística autossômica dominante (DRPAD) é uma causa clássica de rim aumentado, com múltiplos cistos bilaterais e história familiar positiva. O quadro costuma aparecer na vida adulta, com hipertensão arterial, dor lombar, hematúria e, com o tempo, queda da função renal. Em outras palavras, quando o paciente jovem-adulto já vem com vários cistos nos dois rins e família com o mesmo problema, o raciocínio aponta muito mais para DRPAD do que para a forma recessiva. No manejo, o controle da pressão arterial é peça central. A hipertensão acelera a progressão da doença e aumenta o risco cardiovascular, então tratá-la bem não é detalhe, é parte do tratamento de base. Medidas como anti-hipertensivos, redução de sal e acompanhamento nefrológico fazem diferença real no desfecho. Em prova, quando a banca fala em paciente com DRPAD e hipertensão de difícil controle, ela está chamando você para valorizar esse ponto. Por isso, a alternativa C é a mais correta e informativa: o controle rigoroso da pressão arterial é essencial no manejo da DRPAD. As demais opções erram ao generalizar diagnóstico genético obrigatório, ao confundir as formas autossômica dominante e recessiva, ou ao tratar tolvaptano como se fosse indispensável para todo mundo. Na prática, tolvaptano pode ser indicado em casos selecionados com risco de progressão rápida, mas não é tratamento essencial universal. Resumo de prova: DRPAD é doença familiar, de início mais tardio, com cistos renais bilaterais e hipertensão frequente. O que mais muda o jogo no acompanhamento inicial é controlar bem a pressão arterial, porque isso ajuda a frear a progressão da nefropatia e a reduzir complicações.