Na anestesia subaracnoide, com o uso de agulhas mais finas, passou-se a observar a ocorrência de sintomas neurológicos, predominantemente transitórios, que fizeram com que diversos anestésicos locais passassem a ser evitados e até contraindicados. O anestésico local que apresentou a maior incidência dessas alterações foi a
- A)bupivacaína isobárica a 0,2%.
Errada, porque a bupivacaína tem menor associação com sintomas neurológicos transitórios na raquianestesia.
- B)mepivacaína hiperbárica a 3%.
Errada, pois a mepivacaína não é a principal droga lembrada como maior causadora desses sintomas.
- C)lidocaína hiperbárica a 5%.
Certa, porque a lidocaína hiperbárica a 5% foi a formulação mais associada aos sintomas neurológicos transitórios.
- D)lidocaína isobárica a 2%.
Errada, porque a lidocaína isobárica a 2% não é a apresentação clássica com maior incidência de TNS.
- E)bupivacaína hiperbárica a 0,5%.
Errada, porque a bupivacaína hiperbárica a 0,5% não é a droga mais ligada a esse efeito adverso.
Gabarito: C
Na anestesia subaracnoide, o uso de agulhas mais finas reduziu muito a cefaleia pós-punção, mas abriu espaço para um outro problema: sintomas neurológicos transitórios, os chamados TNS (Transient Neurological Symptoms). Eles costumam aparecer após a raquianestesia com dor lombar ou em membros inferiores, de início geralmente nas primeiras 24 horas, e regridem espontaneamente. Na prática, o tema ficou famoso porque alguns anestésicos locais passaram a ser vistos como mais “irritantes” para as raízes nervosas do que outros. Entre os agentes estudados, a lidocaína intratecal, especialmente em concentração alta, foi a que mais se associou a esses sintomas. Por isso, a formulação de lidocaína hiperbárica a 5% virou a clássica resposta de prova quando a banca pergunta qual anestésico local apresentou maior incidência de TNS. É aquele tipo de detalhe que a banca adora: não basta saber fazer a anestesia, tem que saber qual droga ela gosta de complicar. Já a bupivacaína é bem mais usada em raquianestesia justamente por ter perfil mais estável e menor associação com esses sintomas. A mepivacaína pode causar TNS em algum grau, mas não costuma liderar essa estatística nas questões clássicas. O ponto central aqui é reconhecer que a lidocaína, sobretudo hiperbárica e em dose/concentração mais alta, foi a mais implicada. Então, o gabarito é a alternativa C porque a lidocaína hiperbárica a 5% foi a formulação historicamente mais associada aos sintomas neurológicos transitórios após anestesia subaracnoide, motivo pelo qual passou a ser evitada em muitos cenários.