Paciente MJN, gênero feminino, foi atendida em um hospital com ferimento de objeto pontiagudo. O médico responsável pelo atendimento constatou a necessidade de transfusão de concentrado de hemácias e plasma fresco. Foi realizada a tipagem sanguínea completa da paciente com os seguintes resultados: ABO (A) RH negativo. Nesse caso, para essa transfusão de plasma,
- A)deverá ser realizada a prova cruzada com amostra da bolsa de plasma do doador e amostra de sangue da receptora.
Errada: para transfusão de plasma, a prova cruzada não é feita como regra com bolsa e sangue da receptora, porque a compatibilidade é definida principalmente pelo sistema ABO.
- B)obrigatoriamente será realizada com plasma ABO (A) ou (AB) e RH negativo.
Errada: plasma não exige compatibilidade Rh, então restringir a Rh negativo está incorreto; além disso, essa formulação ignora que o critério principal é o ABO.
- C)a paciente poderá receber plasma de doador ABO (A) ou (AB) RH positivo ou negativo.
Certa: a paciente grupo A pode receber plasma A ou AB, e o fator Rh não interfere na escolha do plasma.
- D)a prova cruzada será realizada com amostra de plasma do doador ABO (O) RH negativo.
Errada: plasma do grupo O contém anti-A e anti-B, o que pode ser incompatível com a receptora A; além disso, a descrição da prova cruzada está inadequada.
- E)a prova cruzada será realizada com amostra de plasma do doador ABO (A) RH positivo ou negativo.
Errada: a prova cruzada não é feita com o plasma do doador dessa forma para liberar plasma, e o Rh do doador não é o critério determinante.
Gabarito: C
Na transfusão de concentrado de hemácias, o foco é ver se as hemácias do doador combinam com o plasma da receptora. Já no plasma fresco, a lógica vira de cabeça para baixo: o que importa são os anticorpos presentes no plasma do doador, que podem reagir contra as hemácias do paciente. Por isso, o sistema ABO continua sendo o grande ponto de atenção, mas o fator Rh praticamente não pesa para plasma, porque você não está infundindo hemácias em quantidade relevante. Em termos práticos, uma paciente do grupo A tem hemácias com antígeno A. Então ela pode receber plasma que não traga anticorpos anti-A, como o plasma AB, que não tem anti-A nem anti-B, e também o plasma A, que tem anti-B apenas. É a compatibilidade clássica da hemoterapia: para plasma, o grupo AB é o mais versátil, e o Rh é irrelevante na escolha do componente. Por isso, o gabarito é a letra C: a paciente pode receber plasma de doador ABO A ou AB, seja Rh positivo ou negativo. O Rh não muda a compatibilidade do plasma, e a prova cruzada não é a regra para esse componente como a questão sugere em outras alternativas. Na prática transfusional, a compatibilidade ABO é o ponto central, conforme a padronização dos serviços de hemoterapia. Resumo de prova: hemácias seguem a lógica do antígeno das células; plasma segue a lógica dos anticorpos do plasma. Se você inverter isso, a banca agradece e a questão escapa.