Um paciente de 28 anos chega ao Pronto-Socorro após ser esfaqueado no pescoço durante uma briga. Ele está consciente, mas apresenta dor intensa na região cervical. Há sangramento ativo em uma ferida localizada na região lateral direita do pescoço, próximo ao ângulo da mandíbula. O paciente está com sinais de hemorragia, incluindo taquicardia e hipotensão leve, mas não apresenta sinais evidentes de obstrução das vias aéreas. Não há evidência de fraturas ou deformidades ósseas na região cervical ao exame físico. A conduta inicial mais apropriada para esse paciente é
- A)fazer curativo compressivo, imobilizar a coluna cervical e realizar tomografia.
Errada, porque a tomografia não deve atrasar o controle imediato da hemorragia em paciente com sangramento ativo e instabilidade hemodinâmica.
- B)realizar intubação orotraqueal e reparo da lesão na emergência, seguido de tomografia.
Errada, porque não há indicação de intubação seguida de reparo na emergência e depois tomografia; o caso sugere necessidade de abordagem cirúrgica imediata após estabilização inicial.
- C)fazer compressão direta da ferida com gaze, administrar antibióticos profiláticos e realizar sutura imediata.
Errada, porque sutura imediata e antibiótico não resolvem a prioridade do trauma penetrante com hemorragia ativa e possível lesão vascular profunda.
- D)controlar a hemorragia com compressão direta, levar o paciente imediatamente para sala de cirurgia, traqueostomizar e fazer e reparo vascular.
Errada, porque traqueostomia não é a primeira medida descrita no cenário e falta a etapa de proteção sistemática da via aérea antes do centro cirúrgico; além disso, não se espera esse salto direto sem abordagem inicial adequada.
- E)proteger a via aérea, controlar a hemorragia com compressão direta, levar o paciente imediatamente para sala de cirurgia para avaliação e reparo vascular.
Certa, porque em trauma penetrante de pescoço com sangramento ativo e sinais de instabilidade, a conduta é proteger a via aérea, comprimir a ferida e levar imediatamente para cirurgia para avaliação e reparo vascular.
Gabarito: E
Em trauma penetrante de pescoço, a primeira decisão não é “olhar melhor com tomografia”, e sim pensar em ABC do trauma. Se houver sangramento ativo e sinais de instabilidade hemodinâmica, o paciente entra na categoria de lesão cervical vascular potencialmente grave e deve ter a hemorragia controlada imediatamente, com compressão direta, enquanto a via aérea é protegida de forma precoce e segura. A conduta varia conforme o quadro clínico. Pacientes estáveis, sem sinais de lesão vascular ou aerodigestiva maior, podem ser avaliados com imagem. Já o paciente instável ou com sangramento ativo importante não deve ficar “passeando” pelo setor de imagem. Primeiro estabiliza o que mata primeiro: via aérea e sangramento. Isso é bem alinhado ao ATLS, que prioriza controle de hemorragia e proteção da via aérea no trauma cervical penetrante. Neste caso, o ferimento está na zona II do pescoço, próximo ao ângulo da mandíbula, região com vasos calibrosos e risco de lesão vascular relevante. Como há taquicardia, hipotensão leve e sangramento ativo, a conduta correta é controle imediato da hemorragia, proteção da via aérea e ida direta ao centro cirúrgico para avaliação e reparo vascular, sem esperar tomografia. Por isso, o gabarito é a letra E: ela reúne as prioridades certas na ordem certa. Em trauma, a regra é simples e cruel: primeiro você impede o paciente de piorar, depois você investiga com calma. O pescoço não gosta de demora.