Mulher jovem em investigação diagnóstica para o distúrbio do espectro da neuromielite óptica (NMOSD) é encaminhada ao oftalmologista para avaliação clínica. Além da anamnese e do exame clínico, o seguinte exame complementar pode contribuir muito para o diagnóstico diferencial entre neuromielite óptica e as outras neuropatias ópticas:
- A)eletro-oculograma, podendo auxiliar no diagnóstico de alterações retinianas precoces, que ocorrem na neuromielite óptica, onde o epitélio pigmentar da retina se encontra comprometido.
Errada: eletro-oculograma avalia principalmente o epitélio pigmentar da retina e não é o exame mais útil para diferenciar NMOSD de outras neuropatias ópticas.
- B)potencial visual evocado, podendo mostrar a redução da amplitude ou uma latência prolongada, mesmo antes de os sintomas clínicos se manifestarem.
Certa: o potencial visual evocado pode mostrar redução de amplitude e/ou latência prolongada em neuropatia óptica, ajudando no diagnóstico diferencial da NMOSD.
- C)tomografia de coerência óptica do nervo óptico, podendo evidenciar o espessamento da camada de células ganglionares, da camada plexiforme interna e da rima neural que tipicamente ocorre na neuromielite óptica, mas não ocorre nas outras neuropatias.
Errada: a OCT pode ser útil na avaliação da camada de fibras nervosas e células ganglionares, mas a descrição traz achados que não são característicos nem exclusivos da NMOSD.
- D)campimetria computadorizada, podendo evidenciar o aumento da mancha cega, a hemianopsia bitemporal e a constrição do campo visual periférico, sinais característicos da neuromielite óptica.
Errada: campimetria pode mostrar defeitos de campo visual, mas os padrões citados são inespecíficos e não são sinais característicos da neuromielite óptica.
- E)eletrorretinograma de padrão reverso de campo total (PERG) e multifocal (PERGmf), podendo mostrar a significativa amplitude da N95 e o aumento da espessura da camada de células ganglionares da retina peripapilar, que ocorrem nas neuromielites ópticas.
Errada: o PERG avalia função das células ganglionares, mas a associação descrita com aumento de espessura de camada ganglionar e os achados apresentados não corresponde ao padrão típico da NMOSD.
Gabarito: B
Na investigação de neuropatia óptica, você quer um exame que ajude a mostrar se o problema está mesmo no nervo óptico, e não na retina ou em outra parte do sistema visual. No distúrbio do espectro da neuromielite óptica (NMOSD), a neurite óptica pode ser intensa, recorrente e deixar sequelas importantes, então exames funcionais ajudam bastante no diagnóstico diferencial. O potencial visual evocado (PVE) é um clássico nessa situação. Ele avalia a condução do estímulo visual até o córtex occipital e pode mostrar redução da amplitude e, principalmente, prolongamento da latência, mesmo quando os sintomas ainda são discretos ou quando o exame clínico não fecha o quadro sozinho. Em outras palavras: ele “pega no pulo” a desorganização da via óptica. Isso ajuda a diferenciar NMOSD de outras neuropatias ópticas, porque o PVE evidencia disfunção de condução, enquanto outros exames citados nas alternativas focam retina, campo visual de forma inespecífica ou parâmetros que não são típicos do quadro. Na prática, ele não substitui anamnese, exame oftalmológico e neuroimagem, mas soma bastante no raciocínio. Por isso, a alternativa B está correta: o potencial visual evocado pode revelar alterações funcionais da via óptica antes mesmo de o quadro clínico ficar totalmente evidente, o que é muito útil na neurite óptica associada à NMOSD.