Um politraumatizado é admitido no CTI vítima de trauma craniano com hematoma subdural, contusões frontais, fraturas de costelas no hemitórax esquerdo e uma fratura de tíbia após uma queda de 6 metros. O tratamento neurológico foi definido como conservador com manutenção da pressão intracraniana em 18 mmHg com o paciente sob sedação por 48h após a avalição da tomografia computadorizada de crânio (TCC) pela neurocirurgia. Há também ausência de anormalidades na coluna cervical. Considerando-se que o paciente ficará em coma assistido, a conduta a ser feita em relação ao colar cervical instalado no paciente é
- A)trocar para um colar do tipo Aspen.
Errada: trocar por outro colar não resolve o problema, porque o ponto principal é que a coluna cervical já foi descartada como lesionada.
- B)manter esse colar até nova revisão da Neurocirurgia.
Errada: não há motivo para aguardar nova revisão da Neurocirurgia se a avaliação da coluna cervical já foi normal.
- C)solicitar uma ressonância magnética da coluna cervical.
Errada: a ressonância não é indicada de rotina quando a coluna cervical já foi adequadamente afastada por avaliação apropriada.
- D)manter a imobilização cervical até o paciente acordar.
Errada: manter a imobilização até acordar é desnecessário se a coluna cervical já foi liberada, além de aumentar complicações do colar.
- E)retirar o colar cervical.
Certa: sem anormalidades na coluna cervical, o colar pode ser retirado, mesmo com o paciente em coma assistido.
Gabarito: E
Em trauma, o colar cervical serve para proteger a coluna até que lesão cervical seja descartada. Aqui, o enunciado já informa que não há anormalidades na coluna cervical, ou seja, a investigação da coluna foi negativa. Nesse cenário, manter o colar só por “precaução eterna” não ajuda e ainda atrapalha: aumenta risco de lesão por pressão, desconforto, dificuldade de cuidados e até pode prejudicar ventilação e avaliação clínica. A lógica do atendimento ao politraumatizado é simples: imobiliza no começo, reavalia depois. Se a coluna cervical foi adequadamente avaliada e está livre de lesão, o colar deve ser retirado. O fato de o paciente estar em coma assistido não obriga a manter a imobilização indefinidamente quando a coluna já foi descartada como fonte de risco. Isso conversa com a prática do ATLS e com diretrizes de trauma: a restrição cervical é temporária e só persiste enquanto houver suspeita não esclarecida. Em paciente inconsciente, a remoção também é aceita quando a investigação radiológica de boa qualidade exclui lesão. Portanto, o gabarito é retirar o colar cervical. Em resumo: sem lesão cervical, sem motivo para manter o colar. O pescoço não deve virar um “inquilino vitalício” do CTI.