Uma gestante realiza ultrassonografia com 12 semanas e é detectado alto risco para aneuploidias. Foi oferecido exame diagnóstico por amniocentese. Sobre esse procedimento, é correto afirmar que:
- A)quando realizado precocemente, há aumento da probabilidade de causar talipe equinovaro;
Certa: a amniocentese realizada precocemente, especialmente antes de 15 semanas, aumenta o risco de talipe equinovaro.
- B)deverá ser realizado após 22 semanas, para evitar complicações;
Errada: a amniocentese não deve ser adiada para após 22 semanas; o procedimento é habitualmente feito em idade gestacional bem anterior.
- C)está contraindicado quando a placenta é anterior e não tem como evitá-la;
Errada: placenta anterior não contraindica o exame, pois a punção pode ser planejada com ultrassonografia para evitar a placenta quando possível.
- D)poderá ser realizada em paciente HIV (+), independentemente da carga viral;
Errada: em HIV positivo, a indicação depende do contexto clínico e da carga viral, não sendo correto afirmar que é sempre liberada independentemente desse dado.
- E)por ser pouco invasivo, não está indicada imunoglobulina em pacientes (Rh-).
Errada: gestantes Rh negativas podem necessitar de imunoglobulina anti-D após amniocentese, pois ainda há risco de sensibilização materna.
Gabarito: A
A amniocentese é um exame diagnóstico invasivo usado para estudar o líquido amniótico, geralmente após 15 semanas de gestação. Ela é indicada quando há suspeita de aneuploidias ou outras alterações fetais, como neste caso em que o ultrassom de 12 semanas mostrou alto risco. O detalhe importante é que o momento do procedimento muda muito o perfil de risco: quando feita cedo demais, especialmente antes de 15 semanas, aumentam algumas complicações fetais. A principal associação cobrada em prova é com o pé torto congênito, isto é, talipe equinovaro. Por isso, a alternativa A está correta: a amniocentese precoce eleva a probabilidade dessa malformação. Em outras palavras, o exame até pode ser valioso, mas o relógio da gestação importa bastante. Não é um procedimento para sair fazendo com pressa no primeiro trimestre. As demais alternativas misturam regras de segurança e contraindicações. A amniocentese não precisa ser postergada para depois de 22 semanas; pelo contrário, ela costuma ser realizada bem antes disso, em período mais seguro e útil para diagnóstico. Também não é automaticamente contraindicada se a placenta for anterior, porque o exame pode ser guiado por ultrassom e a via de punção pode ser escolhida para evitar a placenta quando possível. Em pacientes com HIV, a realização depende principalmente da avaliação do risco de transmissão materno-fetal e do controle virológico, não sendo correto dizer que pode ser feita independentemente da carga viral. Já em gestantes Rh negativas, quando há risco de sangramento feto-materno, a imunoglobulina anti-D pode sim ser indicada após procedimentos invasivos. Portanto, a mensagem central é: amniocentese é útil, mas deve ser feita no tempo certo e com os cuidados corretos.