Em relação ao choque anafilático durante exames radiológicos que utilizam meios de contraste iodado, a conduta inicial mais indicada para o manejo desse evento é
- A)administrar corticosteroides intravenosos imediatamente, como única medida inicial.
Errada: corticosteroide isolado não age rápido o suficiente para reverter o choque anafilático e não deve ser a única medida inicial.
- B)posicionar o paciente em decúbito dorsal com elevação das pernas apenas se houver hipotensão severa.
Errada: decúbito dorsal com pernas elevadas pode ser útil como medida de suporte, mas não apenas em hipotensão severa e nunca substitui a terapêutica imediata.
- C)fornecer oxigênio suplementar apenas se o paciente apresentar níveis de saturação abaixo de 85%.
Errada: oxigênio suplementar deve ser oferecido precocemente quando há anafilaxia, sem esperar saturação cair para níveis tão baixos.
- D)suspender o contraste e observar o paciente sem realizar nenhuma intervenção adicional, pois o quadro geralmente é autolimitado.
Errada: anafilaxia não é quadro para simples observação, pois pode piorar rapidamente e exigir intervenção imediata.
- E)administrar adrenalina intramuscular imediatamente, além de suporte ventilatório e hemodinâmico conforme necessário.
Certa: a adrenalina intramuscular é a medida inicial mais importante na anafilaxia, associada a suporte ventilatório e hemodinâmico conforme a gravidade.
Gabarito: E
O choque anafilático por contraste iodado é uma urgência real, daquelas que não aceitam enrolação. Quando o quadro sugere anafilaxia, a primeira medida efetiva é adrenalina intramuscular, porque ela trata a broncoconstrição, a vasodilatação e o edema ao mesmo tempo. Em emergência, o relógio manda mais do que a teoria bonita: quanto antes a adrenalina entrar, melhor o prognóstico. Além da medicação, você precisa suspender imediatamente a infusão do contraste e iniciar suporte básico: oxigênio suplementar, monitorização, acesso venoso e reposição volêmica se houver hipotensão. Se necessário, entram medidas ventilatórias e hemodinâmicas, mas elas são complementares, não substitutas da adrenalina. Corticoide e anti-histamínico podem até ser usados depois, porém não resolvem o choque na hora. A lógica é simples: anafilaxia é reação sistêmica grave mediada por liberação de mediadores inflamatórios, com risco de colapso cardiovascular e obstrução de via aérea. Por isso, a conduta inicial correta não é observar, nem esperar saturação despencar, nem apostar só em corticoide. Primeiro vem a adrenalina IM, depois o resto. Esse raciocínio é o que aparece de forma consistente nos protocolos de anafilaxia e nos manuais de radiologia de emergência. Em prova de concurso, a banca costuma testar justamente se você sabe que adrenalina é a estrela da primeira linha.