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Medicina · FGV · 2025

Questão comentada de Medicina

A reprodução humana tem suscitado problemas de bioética sobre os quais são dados diversos encaminhamentos, como no caso descrito a seguir. Uma mãe (44 anos) de cinco filhos do sexo masculino solicitou a um médico que realizasse um procedimento de inseminação artificial com prévia seleção de gametas masculinos apenas com cromossomo X, para superar a profunda frustração de não ter uma filha. O caso é submetido ao judiciário que solicita uma avaliação de médicos e psiquiatras em cujo relatório destaca-se como a ideia de ter uma filha que cuidasse dela na velhice havia se tornado uma obsessão, motivo pelo qual o laudo foi favorável à realização do procedimento, pois não se reconhecia qualquer impropriedade e vislumbrava-se a possibilidade de que tendo uma filha essa senhora melhoraria do quadro depressivo refratário a tratamentos até então utilizados. A promotoria pública recorreu da decisão e a sentença foi revogada em segunda instância. Tradução e adaptação de Alonso EJP. Consideraciones críticas sobre la regulacion legal de la selección de sexo (parte I). Rev Der Gen H 2002; 16:59-69. Analisando o caso com base nas normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida vigentes no Brasil, é correto afirmar que o aspecto ético mais importante envolvido na disputa judicial é a

Gabarito: B

A questão gira em torno de um ponto clássico da bioética na reprodução assistida: o limite entre autonomia reprodutiva e a proibição de usar a técnica para escolher características não terapêuticas do futuro filho. No Brasil, as normas éticas do CFM sobre reprodução assistida vedam expressamente a seleção de sexo para fins sociais ou de conveniência pessoal. Ou seja, a técnica não pode virar um “cardápio genético” para satisfazer desejo de preferência familiar. No caso narrado, a motivação da paciente é ter uma filha por frustração pessoal e expectativa de cuidado na velhice, o que caracteriza escolha por conveniência e não indicação médica. A presença de depressão ou sofrimento psíquico não autoriza, por si só, burlar a regra ética central, porque a intervenção continuaria sendo dirigida à seleção de sexo do descendente, prática vedada. É por isso que o gabarito é a letra B. As normas do Conselho Federal de Medicina, na linha da ética biomédica, admitem técnicas de reprodução assistida, mas com restrições claras: não se pode selecionar sexo, salvo hipóteses excepcionais ligadas a evitar doenças ligadas ao sexo. Em resumo, a medicina não pode ser usada para atender preferência subjetiva por filho homem ou filha mulher. As demais alternativas tentam desviar o foco para temas reais da reprodução assistida, mas nenhum deles é o núcleo da controvérsia do enunciado. Aqui, o ponto decisivo é a vedação ética da seleção de sexo, e não consentimento, criopreservação, manipulação de gametas ou redução embrionária.

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