Paciente de 52 anos, fumante e com histórico de hipertensão arterial sistêmica, apresenta perda visual progressiva associada a distorção das linhas retas (metamorfopsia). No exame de fundo de olho, são observadas drusas maculares e áreas de neovascularização sub-retiniana. Considerando o diagnóstico provável, a abordagem terapêutica mais indicada é:
- A)monitoramento clínico trimestral sem intervenção, devido ao caráter degenerativo da doença;
Errada, porque a presença de neovascularização sub-retiniana ativa exige tratamento, e não apenas acompanhamento.
- B)tratamento com terapia fotodinâmica exclusiva, para eliminar a neovascularização;
Errada, porque a terapia fotodinâmica não é a conduta exclusiva de escolha na forma neovascular, que hoje é tratada principalmente com anti-VEGF.
- C)injeção intraocular de anti-VEGF, para controlar a neovascularização ativa;
Certa, porque os anti-VEGF controlam a neovascularização ativa e são o tratamento de primeira linha na degeneração macular exsudativa.
- D)fotocoagulação a laser, para prevenir novas áreas de neovascularização;
Errada, porque a fotocoagulação a laser tem uso limitado e não é a melhor estratégia para prevenir ou controlar essa forma da doença.
- E)uso de corticosteroides orais, para reduzir a inflamação retiniana.
Errada, porque corticosteroides orais não tratam o mecanismo da neovascularização macular e não são indicados para esse quadro.
Gabarito: C
O quadro descrito é típico de degeneração macular relacionada à idade na forma neovascular (exsudativa), também chamada de “úmida”. Em geral, ela aparece em pacientes mais velhos, com fatores de risco como tabagismo, e causa perda visual central progressiva, com metamorfopsia, porque a mácula é justamente a área responsável pela visão fina, de leitura e reconhecimento de detalhes. No fundo de olho, as drusas maculares sugerem o processo degenerativo de base, e a presença de neovascularização sub-retiniana indica atividade da doença. O problema aqui não é só “acompanhar”, porque esses vasos anômalos vazam sangue e líquido, piorando rápido a visão. É exatamente nessa fase que o tratamento precisa ser ativo. A melhor conduta é a injeção intraocular de anti-VEGF, como ranibizumabe, aflibercepte ou bevacizumabe, pois esses medicamentos bloqueiam o fator de crescimento endotelial vascular e ajudam a controlar a neovascularização e o extravasamento. Na prática, é o tratamento mais importante da forma neovascular da degeneração macular. Se a banca quiser resumir: drusa + metamorfopsia + neovascularização = anti-VEGF. As demais alternativas não são as mais indicadas: observação isolada perde tempo valioso, fototerapia e laser têm papel bem mais restrito hoje, e corticoide oral não trata o mecanismo central da doença. Então, o gabarito C está correto porque trata diretamente a neovascularização ativa, que é o motor da perda visual nessa fase.