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Medicina · FGV · 2025

Questão comentada de Medicina

Paciente de 78 anos, portador de marca-passo cardíaco definitivo há 15 anos, está evoluindo com disfunção cardíaca progressiva de ventrículo esquerdo, fração de ejeção no momento de 29%, complexo QRS alargado com dissicronismo ventricular (QRS>150ms) e apresenta estenose mitral leve. Nesse caso, a conduta correta inicialmente é

Gabarito: E

Em um paciente com marca-passo definitivo há muitos anos, piora progressiva da função do ventrículo esquerdo, fração de ejeção baixa e QRS alargado com dissincronia, a primeira suspeita costuma ser cardiomiopatia induzida por estimulação ventricular crônica. Isso acontece porque o estímulo apical ou ventricular isolado pode ativar o coração de modo artificialmente descoordenado, piorando o desempenho mecânico do ventrículo. Ou seja: o marca-passo que antes ajudava começa a atrapalhar o sincronismo, e o coração paga a conta. Nessa situação, a conduta inicial mais adequada é a troca do sistema para marca-passo multissítio, isto é, terapia de ressincronização cardíaca. A ideia é estimular os ventrículos de forma mais coordenada, reduzindo a dissincronia e podendo melhorar sintomas, fração de ejeção e remodelamento cardíaco. Em pacientes com QRS largo, especialmente com evidência de dissincronia e disfunção sistólica, a ressincronização é uma estratégia clássica e bem estabelecida em diretrizes de insuficiência cardíaca. A estenose mitral leve, nesse contexto, não explica o quadro principal e não pede intervenção imediata. Também não faz sentido partir direto para medidas extremas como transplante ou cardiomioplastia, porque antes é preciso corrigir a causa mais provável e tratável da piora funcional. Do mesmo modo, apenas aumentar a medicação sem rever a estimulação elétrica seria deixar o problema principal quietinho no canto, fingindo que ele não existe. Em resumo: paciente com marca-passo crônico, FE reduzida e QRS largo com dissincronia deve ser avaliado para ressincronização cardíaca, que é a medida inicial mais lógica. A FGV costuma cobrar exatamente essa leitura prática: quando o problema é a própria ativação elétrica ventricular, a solução também vem pela elétrica.

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