Dois turistas, ambos com 28 anos, resolvem contratar um guia para levá-los a conhecer um ponto turístico da Chapada Diamantina (BA). No caminho até o local de visitação, o guia tenta explicar aos turistas que o lugar onde estão indo pode ser perigoso para a saúde: “Se vocês quiserem se banhar, que seja por conta e risco de vocês. Foi achada uma bactéria neste rio, que está sendo estudada pelo pessoal da Secretaria de Saúde. Eles vão coletar os moluscos para estudar lá no laboratório da capital. Por enquanto, ninguém sabe se o rio é ou não de coceira. Mais para jusante, tem gente que ficou doente. Um primo meu está na cadeira de rodas por causa desta doença.” O provável agente etiológico da doença que acometeu o primo do guia turístico é
- A)Naegleria fowleri.
Naegleria fowleri causa meningoencefalite amebiana primária, ligada a água doce morna, mas não tem relação com moluscos nem com o quadro descrito.
- B)Angiostrongylus cantonensis.
Angiostrongylus cantonensis pode causar meningoencefalite eosinofílica, geralmente ligada à ingestão de hospedeiros intermediários, e não explica o cenário de rio com caramujo.
- C)Schistosoma mansoni.
Schistosoma mansoni é o agente da esquistossomose, doença associada à água doce contaminada e à presença de moluscos como hospedeiros intermediários.
- D)Leptospira interrogans.
Leptospira interrogans está ligada à leptospirose, geralmente por água contaminada com urina de animais, mas não ao ciclo com moluscos descrito no enunciado.
- E)Mycoplasma pneumoniae.
Mycoplasma pneumoniae causa infecções respiratórias, como pneumonia atípica, e não tem qualquer ligação com doença adquirida em rio.
Gabarito: C
A pista central da questão está no rio com “moluscos” sendo coletados para estudo e no aviso de que alguém que se banha ali pode adoecer. Isso é praticamente o cartão-postal da esquistossomose: o ciclo do parasita depende de caramujo de água doce, que funciona como hospedeiro intermediário e libera formas infectantes na água. Quando a pessoa entra em contato com essa água, as larvas penetram pela pele e iniciam a infecção. No Brasil, o agente clássico é o Schistosoma mansoni, muito associado a áreas com saneamento precário e água contaminada. A expressão “doença de coceira” também aponta para a dermatite cercariana, aquela coceira chata após contato com água contaminada, que pode ser a porta de entrada da doença. O quadro neurológico grave também combina com esquistossomose em fase crônica, porque o parasita pode causar complicações importantes, inclusive neurológicas, embora o mais lembrado seja o comprometimento hepatoesplênico. Então, quando a questão fala em rio, moluscos e moradores adoecendo rio abaixo, o raciocínio é quase automático: pense em transmissão hídrica com caramujo no meio do caminho. Por isso o gabarito C está correto. Schistosoma mansoni é o agente etiológico da esquistossomose intestinal/hepática nas Américas, especialmente no Brasil, e o controle envolve saneamento, controle de moluscos e evitar contato com água suspeita. Em prova, a banca adora trocar o nome da doença por descrição ambiental, então vale treinar o olhar de detetive sanitário.