Na avaliação de um eletrocardiograma com 12 derivações, os achados foram compatíveis com um bloqueio atrioventricular. Foi identificado um atraso na condução de aumento progressivo, até que uma onda P foi totalmente bloqueada – caracterizando o fenômeno de Wenckebach. Em seguida, o ciclo recomeçou. Sobre o episódio narrado, assinale a opção que indica o laudo correto.
- A)Bloqueio atrioventricular 2:1.
Errada, porque o bloqueio 2:1 descreve apenas uma relação fixa entre ondas P e QRS, sem permitir afirmar o padrão de PR progressivamente crescente.
- B)Bloqueio atrioventricular de primeiro grau.
Errada, porque no bloqueio de primeiro grau todas as ondas P são conduzidas, com PR prolongado, mas sem bloqueio de nenhuma onda P.
- C)Bloqueio atrioventricular do terceiro grau ou total.
Errada, porque no bloqueio atrioventricular total há dissociação AV, e o enunciado descreve falha intermitente com progressão do PR, não dissociação completa.
- D)Bloqueio atrioventricular de segundo grau tipo I (Mobitz I).
Certa, porque o fenômeno de Wenckebach corresponde ao bloqueio atrioventricular de segundo grau tipo I, com PR progressivamente maior até a onda P ser bloqueada.
- E)Bloqueio atrioventricular de segundo grau tipo II (Mobitz II).
Errada, porque o Mobitz II costuma ter PR fixo antes das falhas de condução, sem o aumento progressivo típico do fenômeno de Wenckebach.
Gabarito: D
O caso descreve o fenômeno de Wenckebach, que é o nome clássico do bloqueio atrioventricular de segundo grau tipo I (Mobitz I). A ideia é simples: a condução pelo nó AV vai ficando cada vez mais lenta, então o intervalo PR aumenta progressivamente até uma onda P não conseguir passar e ser bloqueada. Depois disso, o ciclo recomeça. É aquele ritmo “vai, vai, quase vai... e falha”. Esse padrão é bem diferente do bloqueio de primeiro grau, no qual todas as ondas P conduzem, mas com PR apenas prolongado. Também não é bloqueio total, porque no bloqueio de terceiro grau há dissociação atrioventricular, com átrios e ventrículos seguindo ritmos independentes. No Mobitz II, por sua vez, o PR costuma ser fixo e o bloqueio acontece de forma súbita, sem esse aumento progressivo típico. Então, quando o enunciado fala em atraso progressivo da condução até uma onda P ser bloqueada, ele praticamente entrega o diagnóstico de Mobitz I. Esse é o laudo correto no ECG, e por isso a alternativa D é a certa. Como referência doutrinária de eletrocardiografia, o fenômeno de Wenckebach é o sinônimo clássico de bloqueio AV de segundo grau tipo I, descrito justamente por esse encadeamento de PR crescente e falha periódica de condução.