Um aluno de medicina realiza exame ginecológico em uma paciente de 46 anos com histórico de duas gestações prévias sem intercorrências. O seu professor pergunta se ele deveria realizar o toque retal nessa paciente. Sobre esse tipo de exame, é correto afirmar que:
- A)é essencial realizar em todas as pacientes ginecológicas;
Errada: o toque retal não é essencial em todas as pacientes ginecológicas, sendo indicado conforme a suspeita clínica.
- B)ajuda na avaliação e no diagnóstico da endometriose;
Certa: ele ajuda a avaliar dor, nodulações e comprometimento do compartimento pélvico posterior na endometriose, especialmente a profunda.
- C)deve ser evitado em pacientes virgens;
Errada: não deve ser automaticamente evitado em pacientes virgens; a indicação depende do caso e o exame pode ser feito de forma adequada e respeitosa.
- D)pode utilizar a mesma luva que foi usada no toque vaginal;
Errada: a técnica correta exige luva limpa ou nova para evitar contaminação cruzada e manter a higiene do exame.
- E)deve ser evitado em pacientes com tumores retais.
Errada: tumor retal não é contraindicação absoluta para o exame; em muitos casos, a avaliação retal é justamente útil e necessária.
Gabarito: B
O toque retal faz parte do exame ginecológico em situações selecionadas, principalmente quando há suspeita de doença pélvica posterior. Ele não é um ritual obrigatório em toda consulta, mas pode acrescentar muito quando o objetivo é avaliar fundo de saco, ligamentos útero-sacros, septo retovaginal e infiltrações que não aparecem bem no exame vaginal. Em outras palavras: ele entra quando a clínica pede, não por esporte. Na endometriose, especialmente na forma profunda, o exame retovaginal pode ajudar a identificar dor à palpação, nodulações, espessamento e limitação dos movimentos uterinos e dos anexos. Isso é útil para suspeitar do diagnóstico e para estimar extensão da doença, embora o diagnóstico definitivo seja histológico e os exames de imagem também tenham papel importante. O exame deve ser feito com técnica adequada, geralmente com luva nova e lubrificante, respeitando conforto e indicação clínica. Em pacientes virgens, ele não é automaticamente proibido; o ponto central é a indicação e a delicadeza do exame, podendo inclusive ser uma alternativa útil quando se quer evitar o toque vaginal. Já em situações de tumor retal, a avaliação não é simplesmente "evitada" por regra geral, porque a presença de lesão pode até ser justamente motivo para exame especializado. Em prova, a banca costuma cobrar a ideia prática: o toque retal no contexto ginecológico é um exame complementar valioso na suspeita de endometriose, sobretudo a profunda, e não um procedimento universal. O gabarito B está correto exatamente por esse motivo.