Paciente em acompanhamento pelo ortopedista por ser portador de pseudartrose congênita da tíbia do tipo III de Boyd. O ortopedista chegou-se a esse diagnóstico porque
- A)o paciente apresentava a fíbula displásica e evoluiu com pseudartrose da fíbula e da tíbia.
Errada, porque a displasia da fíbula com pseudartrose de fíbula e tíbia não define o tipo III de Boyd.
- B)o paciente apresentava arqueamento anterior da tíbia e um defeito na tíbia presente ao nascimento.
Errada, porque arqueamento anterior e defeito congênito na tíbia são achados inespecíficos e não caracterizam o tipo III.
- C)o paciente apresentava arqueamento anterior e uma constrição em ampulheta na tíbia presente ao nascimento, associado à neurofibromatose.
Errada, porque arqueamento em ampulheta com neurofibromatose é padrão mais associado a outras apresentações, não ao tipo III de Boyd.
- D)a pseudartrose se desenvolveu em um cisto congênito, perto da junção dos terços médio e distal da tíbia, e o arqueamento anterior precedeu o desenvolvimento de uma fratura.
Certa, porque descreve pseudartrose em cisto congênito perto da junção médio-distal da tíbia, com arqueamento anterior prévio à fratura.
- E)a pseudartrose se originou no segmento esclerótico do osso, sem estreitamento da tíbia. O canal medular encontra-se parcialmente obliterado, uma fratura por "insuficiência" se desenvolveu no cortical da tíbia e gradualmente se estendeu através do osso esclerótico.
Errada, porque descreve uma forma esclerótica com canal medular parcialmente obliterado, sem o padrão cístico e de arqueamento típico do tipo III.
Gabarito: D
A pseudartrose congênita da tíbia é uma daquelas doenças em que a tíbia “já nasce brigando com a mecânica”: o osso tem um defeito estrutural, costuma curvar para frente e depois pode fraturar, evoluindo para não consolidação. A classificação de Boyd organiza as formas clínicas conforme a aparência do osso e o contexto da lesão. Na forma tipo III, o ponto-chave é uma pseudartrose que surge em um cisto congênito, geralmente perto da junção dos terços médio e distal da tíbia. Antes da fratura, já havia arqueamento anterior da tíbia, e isso ajuda a reconhecer o padrão descrito pela classificação. É um quadro clássico de osso “frágil desde a origem”, e não de uma fratura comum que resolveu complicar depois. Por isso, a alternativa D está correta: ela descreve justamente a associação entre cisto congênito, localização típica e arqueamento anterior prévio à fratura. Isso corresponde ao tipo III de Boyd. As demais opções misturam outras formas de pseudartrose congênita ou descrevem padrões que lembram mais neurofibromatose, displasia fibular ou lesões escleróticas, mas não o tipo III. Em prova, a banca gosta de trocar uma característica anatômica por outra para testar se você conhece o mapa da classificação, não só o nome da doença.