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Medicina · FGV · 2025

Questão comentada de Medicina

Você é chamado para realizar uma sala de parto cesariana eletiva, sem que a mãe tenha entrado em trabalho de parto, de uma menina de 39 semanas de gestação. O Apgar foi 8 no primeiro minuto e 9 no quinto minuto. Após 30 minutos de vida, a menina apresentou taquipneia com 75 incursões por minuto, leve gemência expiratória e retrações subcostais. O exame físico revela bebê acianótica, com saturação de oxigênio de 92% em ar ambiente, tórax simétrico, sem murmúrios adventícios, frequência cardíaca de 140 bpm, temperatura de 36,8 C, e perfusão periférica preservada. Você solicita um raio-X de tórax que revelou hiperinsuflação pulmonar, com congestão vascular peri-hilar e leve aumento do líquido nas fissuras interlobares. Nesse caso, o diagnóstico mais provável e a conduta a ser tomada são, respectivamente,

Gabarito: B

Aqui a pista mais importante é o contexto: recém-nascido a termo, cesariana eletiva, sem trabalho de parto, com início de desconforto respiratório logo nas primeiras horas de vida. Isso aponta fortemente para taquipneia transitória do recém-nascido, que é basicamente um atraso na reabsorção do líquido pulmonar fetal. Em cesáreas sem trabalho de parto, esse líquido costuma permanecer mais tempo no pulmão, deixando o bebê taquipneico, com leve gemência e retrações, mas geralmente com boa perfusão e melhora espontânea. O raio-X ajuda muito: hiperinsuflação, congestão vascular peri-hilar e líquido nas fissuras interlobares são bem clássicos de taquipneia transitória. Não é o padrão da síndrome do desconforto respiratório, que costuma aparecer em prematuros e mostra pulmões com menor expansibilidade e aspecto reticulogranular. Também não parece pneumonia, porque não há febre, instabilidade clínica ou sinais infecciosos sugerindo sepse neonatal. A conduta é conservadora: monitorização clínica, suporte e oxigenoterapia se necessário. A maioria melhora em 24 a 72 horas, então o manejo é mais de observação vigilante do que de intervenção agressiva. Em prova, pense assim: bebê a termo, cesárea eletiva, desconforto respiratório precoce e RX com líquido residual = taquipneia transitória até prova em contrário. Como regra prática de neonatologia, o quadro costuma ser autolimitado e a decisão é tratar o sintoma respiratório e acompanhar a evolução. A banca gosta de testar justamente se você confunde isso com doença de membrana hialina ou infecção, mas aqui o conjunto clínico e radiológico fecha com o gabarito B.

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