Uma paciente de 26 anos, durante prova de maratona de rua, após correr por mais de duas horas, começou a apresentar quadro de hipertermia (T Ax 39 °C), náuseas e cefaleia, evoluindo com vômitos e confusão mental. Interrompeu a prova e logo em seguida passou a apresentar rebaixamento do nível de consciência e sinais de edema pulmonar. O diagnóstico mais provável para o caso é:
- A)hiperpotassemia associada ao exercício;
Hipercalemia não é o quadro típico do esforço prolongado com sintomas neurológicos e edema, que sugerem mais distúrbio de sódio.
- B)hipoglicemia associada ao exercício;
Hipoglicemia pode causar confusão e rebaixamento do nível de consciência, mas não explica tão bem o conjunto com edema pulmonar e o contexto clássico de maratona.
- C)hipercalcemia associada ao exercício;
Hipercalcemia costuma causar outros sintomas, como fraqueza e alterações gastrointestinais, mas não é a associação esperada nesse cenário de corrida prolongada.
- D)hipopotassemia associada ao exercício;
Hipopotassemia pode ocorrer com suor intenso e esforço, porém o quadro neurológico agudo descrito é muito mais compatível com alteração do sódio.
- E)hiponatremia associada ao exercício.
Hiponatremia associada ao exercício é o diagnóstico clássico em maratona com náuseas, vômitos, confusão e rebaixamento do sensório, podendo evoluir com edema pulmonar/cerebral.
Gabarito: E
Durante provas longas, como uma maratona, o corpo perde muita água e sais pelo suor. Se a reposição de líquidos for inadequada, principalmente com água pura em excesso, o sódio do sangue pode cair. Isso leva à hiponatremia associada ao exercício, um quadro clássico em que a atleta passa a ter náuseas, cefaleia, vômitos, confusão mental e, nos casos graves, rebaixamento do nível de consciência e até edema pulmonar e cerebral. O ponto-chave aqui é que não se trata apenas de cansaço ou desidratação simples. A combinação de esforço prolongado, hipertermia e sintomas neurológicos após a corrida faz pensar em distúrbio hidroeletrolítico importante. A hiponatremia sintomática no exercício é uma emergência, porque a água entra nas células, inclusive no sistema nervoso central, piorando o edema e os sintomas neurológicos. Em prova de concurso, a banca costuma misturar esse quadro com exaustão pelo calor ou desidratação, mas o detalhe das manifestações neurológicas progressivas e do edema pulmonar aponta para queda do sódio. O manejo costuma envolver suspensão do exercício, avaliação imediata e correção cuidadosa do sódio, conforme gravidade e sintomas, para evitar complicações neurológicas. Por isso, o gabarito é a alternativa E. É o diagnóstico mais provável em uma corredora de longa distância com cefaleia, náuseas, vômitos, confusão e rebaixamento do sensório após ingestão/retenção excessiva de água e perda de eletrólitos pelo suor.