A mediastinite é uma complicação, em geral, de evolução grave que ocorre no pós-operatório de cirurgias cardíacas relacionadas à esternotomia mediana, como acesso cirúrgico. Acerca dessa intercorrência, é correto afirmar que
- A)apresenta dor torácica, febre, queda do estado geral e, muitas vezes, com secreção pela ferida operatória após sete dias da realização da cirurgia.
Certa: descreve o quadro típico de mediastinite pós-esternotomia, com dor, febre, piora clínica e secreção na ferida após alguns dias.
- B)sempre está relaciona deiscência da esternotomia.
Errada: mediastinite pode ocorrer sem deiscência evidente da esternotomia, então o termo "sempre" torna a afirmação falsa.
- C)ocorre entre 15 a 20% dos casos de cirurgias que utilizam esta via de acesso cirúrgico.
Errada: a incidência é muito menor do que 15% a 20%, que é um valor exagerado para essa complicação.
- D)pode estar relacionada à suspensão do antibiótico profilático utilizado rotineiramente nestas cirurgias.
Errada: a suspensão do antibiótico profilático não é a explicação clássica ou direta da mediastinite, embora a profilaxia inadequada aumente risco infeccioso em geral.
- E)a primeira manifestação clínica sempre é febre do segundo para o terceiro dia de pós-operatório.
Errada: febre no 2º ou 3º dia não é a primeira manifestação obrigatória, e a apresentação clínica costuma ser mais variável e frequentemente mais tardia.
Gabarito: A
A mediastinite pós-operatória é uma infecção grave da região mediastinal, mais lembrada após cirurgias cardíacas com esternotomia mediana. O quadro costuma chamar atenção porque o paciente deixa de evoluir como esperado: aparece dor torácica, febre, mal-estar importante e, em muitos casos, secreção na ferida operatória. Quando isso surge alguns dias após a cirurgia, a suspeita precisa ser rápida, porque a complicação pode piorar de forma acelerada. O ponto central aqui é que a mediastinite não depende obrigatoriamente de deiscência da esternotomia, nem aparece em uma taxa absurda como 15% ou 20% dos casos. Também não é correto pensar que a primeira manifestação clínica obrigatoriamente será febre muito precoce, logo no 2º ou 3º dia. O quadro é mais variável e costuma se manifestar com sinais infecciosos e locais, muitas vezes após a primeira semana. Por isso, a alternativa A está correta: ela descreve bem o quadro clínico típico, com dor torácica, febre, queda do estado geral e secreção na ferida operatória após cerca de 7 dias. Esse conjunto é clássico e deve acender o alerta em qualquer pós-operatório de esternotomia. Na prática, o raciocínio é simples: se você viu paciente de cirurgia cardíaca piorando depois de alguns dias, com ferida suspeita e sinais sistêmicos, pense em mediastinite primeiro. É uma complicação grave, e o diagnóstico precoce faz diferença enorme.