Os anestésicos locais são geralmente seguros, mas não estão isentos de potencial para causar danos. O acúmulo deles na circulação sistêmica, como resultado de injeção inadvertida ou absorção rápida, não antecipada, na corrente sanguínea, pode resultar em níveis tóxicos com consequências graves, principalmente com os de longa duração. Embora todos os anestésicos locais possam dar origem a bradicardia, hipotensão, disritmias e depressão miocárdica, é correto afirmar que o anestésico local mais seguro, entre os de longa duração, é a
- A)bupivacaína.
Errada: a bupivacaína é justamente uma das mais cardiotóxicas entre os anestésicos locais de longa duração.
- B)prilocaína.
Errada: a prilocaína não é a opção clássica de longa duração e ainda pode causar metemoglobinemia.
- C)lidocaína.
Errada: a lidocaína tem duração intermediária, então não é a melhor resposta quando a pergunta pede os de longa duração.
- D)levobupivacaína.
Certa: a levobupivacaína tem menor cardiotoxicidade que a bupivacaína, sendo a opção mais segura entre os anestésicos locais de longa duração.
- E)etidocaína.
Errada: a etidocaína é de longa duração, mas não é apontada como a mais segura nessa classe.
Gabarito: D
Os anestésicos locais bloqueiam canais de sódio e, por isso, impedem a condução do impulso nervoso. O problema é que, se eles entram em excesso na circulação, podem afetar também coração e sistema nervoso central, causando desde zumbido e gosto metálico até bradicardia, hipotensão, arritmias e depressão miocárdica. É o clássico caso em que a dose certa faz o remédio virar vilão. Entre os anestésicos locais de longa duração, a grande preocupação costuma ser a cardiotoxicidade. A bupivacaína é conhecida por ser mais tóxica para o coração, enquanto a levobupivacaína foi desenvolvida como o enantiômero com melhor perfil de segurança, justamente com menor toxicidade cardiovascular e no SNC. Por isso, quando a questão pergunta qual é o anestésico local mais seguro entre os de longa duração, a resposta é a levobupivacaína. Ela mantém boa eficácia anestésica, mas com menor risco de efeitos graves do que a bupivacaína racêmica. Em prova, isso costuma ser cobrado como diferença entre eficácia e segurança: nem sempre o mais potente é o mais amigável. Então, o gabarito D está correto porque a levobupivacaína é a opção de longa duração com menor cardiotoxicidade em comparação com os demais anestésicos da lista. Já a bupivacaína e a etidocaína têm perfil mais preocupante, e a lidocaína nem entra bem nessa disputa porque é mais lembrada como anestésico de duração intermediária.