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Medicina · FGV · 2025

Questão comentada de Medicina

Uma criança apresenta atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, hipotonia, dificuldades de alimentação na infância, seguida por hiperfagia e obesidade na infância tardia, além de características faciais dismórficas e hipogonadismo. A suspeita clínica inicial recai sobre a Síndrome de Prader-Willi (SPW). Em relação à base genética e ao diagnóstico diferencial com a Síndrome de Angelman (SA), assinale a afirmativa mais precisa e abrangente.

Gabarito: C

A Síndrome de Prader-Willi e a Síndrome de Angelman são um clássico de genética do “quem veio de qual pai?”, porque o fenótipo depende do imprinting genômico na região 15q11.2-q13. Nessa área, alguns genes se comportam de forma diferente conforme a origem parental: há genes expressos a partir do alelo paterno e outros do alelo materno. Por isso, a mesma região cromossômica pode causar síndromes diferentes, dependendo de qual cromossomo foi perdido ou silenciado. Na SPW, o problema é a perda da expressão dos genes paternos nessa região, o que pode acontecer por deleção no cromossomo 15 paterno, dissomia uniparental materna ou defeito no centro de imprinting. O resultado clínico bate com o enunciado: hipotonia neonatal, dificuldade alimentar inicial, depois hiperfagia, obesidade, hipogonadismo e atraso do desenvolvimento. Já na SA, o quadro decorre da perda da expressão materna, principalmente do gene UBE3A no cérebro. As causas podem ser deleção no cromossomo 15 materno, dissomia uniparental paterna, mutação em UBE3A ou defeitos de imprinting. É por isso que a alternativa C é a mais precisa e abrangente: ela descreve corretamente as bases genéticas de ambas. Na prática diagnóstica, a análise de metilação é muito importante porque costuma detectar a alteração de imprinting em SPW e SA, mas ela não fecha sozinha todos os mecanismos causais. Por isso, afirmar que um único exame resolve tudo, sem complementos, é simplificação demais para a genética real.

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