Um paciente internado no CTI para tratamento de um quadro cardiológico apresenta deterioração dos parâmetros cardiorrespiratórios levando a um diagnóstico se infecção urinária concomitante. O estudo microbiológico confirma a presença de enterobactérias produtoras de betalactamases (ESBL). A melhor cobertura antibiótica deve incluir
- A)ciprofloxacina.
Errada, porque ciprofloxacina pode ter resistência associada em ESBL e não é a melhor escolha empírica ou definitiva em paciente grave.
- B)meropanem.
Certa, porque o meropenem é carbapenêmico e costuma manter atividade contra enterobactérias produtoras de ESBL.
- C)nitrofurantoína.
Errada, porque nitrofurantoína é usada sobretudo em cistite não complicada e não serve para um quadro grave em CTI.
- D)tigeciclina.
Errada, porque tigeciclina não é a melhor opção para infecção urinária e tem limitações importantes nesse cenário.
- E)trimetropim.
Errada, porque trimetoprim frequentemente encontra resistência em enterobactérias hospitalares, especialmente nas produtoras de ESBL.
Gabarito: B
Enterobactérias produtoras de ESBL sao um clássico de infecção urinária hospitalar mais chata, porque essas bactérias quebram muitas penicilinas e cefalosporinas comuns. Quando o paciente está grave, internado em CTI, ou com infecção por ESBL confirmada, a ideia é usar um antibiótico que ainda funcione bem apesar da enzima. A classe mais confiável nesse cenário, em geral, são os carbapenêmicos, e o meropenem é um dos mais usados por ter excelente cobertura contra ESBL. Isso acontece porque as ESBL inativam vários beta-lactâmicos, mas não costumam vencer os carbapenêmicos. Na prática, para infecção urinária hospitalar grave por ESBL, o tratamento precisa ser mais robusto do que os esquemas usuais de cistite simples. Aqui não é hora de escolher antibiótico bonito no nome, e sim o que realmente segura a bactéria no CTI. Por isso o gabarito é a letra B, meropenem. Ele é um carbapenêmico com boa atividade contra enterobactérias produtoras de ESBL e é escolha segura em infecções graves. As outras opções falham porque não são confiáveis nesse contexto, especialmente quando há gravidade clínica e microbiologia já mostrando resistência. Em resumo: ESBL + paciente crítico + foco urinário hospitalar = pense em carbapenêmico. A banca costuma cobrar exatamente essa associação para testar se você sabe reconhecer resistência bacteriana e não cai na tentação do antibiótico “de rotina”.