O padrão de crescimento do pterígio e sua maior incidência no limbo medial são melhor explicados pela(o)
- A)ocorrência de uma maior concentração de metaloproteínas no limbo medial, as quais ativariam as células tronco limbares a se proliferarem, formando o pterígio.
Errada, porque metaloproteinases participam de remodelamento tecidual, mas não explicam melhor a predileção topográfica do pterígio pelo limbo nasal.
- B)ocorrência de uma maior concentração de imunoglobulinas IgE no canto medial, iniciando uma reação alérgica sobre o limbo medial, formando o pterígio;
Errada, pois IgE e reação alérgica se relacionam com conjuntivite alérgica, não com o mecanismo clássico de formação do pterígio.
- C)ocorrência de uma maior concentração de fibroblastos no canto medial, iniciando uma reação inflamatória sobre o limbo medial, formando o pterígio;
Errada, porque fibroblastos podem participar do processo cicatricial, mas a hipótese não explica a maior incidência no limbo medial.
- D)efeito do piscar, que concentraria no canto medial, a lágrima com seus componentes abrasivos e potencialmente irritantes a caminho dos óstios lacrimais, gerando uma reação inflamatória crônica, culminando no pterígio;
Errada, já que a hipóteses de irritação por lágrima e piscamento não é a explicação mais aceita para o padrão nasal do pterígio.
- E)fato de a focalização da luz solar periférica que incide lateralmente sobre a câmara anterior concentrar e focar essa luz incidente em até 20 vezes, no limbo medial.
Certa, porque a teoria do foco da luz periférica explica a concentração de radiação UV no limbo medial, favorecendo o surgimento do pterígio nessa região.
Gabarito: E
O pterígio é uma lesão fibrovascular da conjuntiva que avança sobre a córnea, com predileção clássica pela região nasal, isto é, pelo limbo medial. A explicação mais aceita para esse padrão não é alergia, nem excesso de fibroblasto, nem “poeira teimosamente parada”, mas sim um efeito óptico da luz solar incidente lateralmente. A ideia central é a teoria do foco da luz periférica: os raios ultravioleta que entram lateralmente podem ser concentrados na região nasal do limbo por um efeito de focalização da córnea e da câmara anterior. Isso aumenta a agressão local e favorece dano crônico, inflamação e degeneração tecidual, criando o ambiente para o pterígio surgir e crescer. Na prática, a luz periférica que incide temporalmente pode ser direcionada para o limbo nasal, elevando a energia naquele ponto. É por isso que o pterígio gosta tanto do “lado de dentro” do olho, especialmente em pessoas com muita exposição solar, vento e poeira. O olho, nesse caso, faz uma espécie de lente convergente involuntária. Assim, o gabarito E está correto porque descreve justamente esse mecanismo de focalização da luz solar periférica sobre o limbo medial, que explica melhor a localização e o padrão de crescimento do pterígio.