Um paciente do CTI deve ser submetido a uma tomografia computadorizada com contraste. Para avaliar o risco de nefropatia associada ao uso do contraste, das seguintes situações, a que provoca o aumento do risco de nefropatia induzida por contraste é
- A)idade acima de 65 anos.
Idade acima de 65 anos pode aumentar vulnerabilidade renal, mas não é o fator mais diretamente cobrado como risco principal nesta questão.
- B)diabetes independente da função renal estar normal.
Diabetes isolado, com função renal normal, não é o melhor preditor de nefropatia por contraste; o risco sobe muito mais quando há nefropatia diabética ou doença renal prévia.
- C)falência cardíaca.
Correta, porque a falência cardíaca reduz a perfusão renal e aumenta a susceptibilidade à lesão renal induzida por contraste.
- D)gênero feminino.
Sexo feminino não é fator clássico de aumento de risco para nefropatia por contraste.
- E)doença hepática.
Doença hepática não é o fator mais característico de risco nessa situação; o peso maior está em alterações hemodinâmicas e na função renal prévia.
Gabarito: C
A nefropatia associada ao contraste, hoje mais chamada de lesão renal aguda associada ao contraste, costuma aparecer quando o paciente já chega com os rins vulneráveis ou com pouca reserva hemodinâmica. O ponto central da prova é perceber que não é qualquer fator de risco “bonito no papel” que pesa mais, e sim aquilo que reduz a perfusão renal e dificulta a eliminação do contraste. Entre os fatores clássicos de risco estão insuficiência renal prévia, desidratação, uso de nefrotóxicos, grande volume de contraste e condições que diminuem o débito cardíaco. É aí que a falência cardíaca entra forte na história: se o coração bombeia mal, o rim recebe menos sangue, fica mais suscetível à agressão e o contraste vira um problema maior. Por isso, o gabarito é a letra C. A falência cardíaca aumenta o risco porque associa baixo fluxo renal e maior chance de hipoperfusão, o que favorece a lesão renal após o contraste. Em provas, isso costuma aparecer em conjunto com outros fatores hemodinâmicos, como choque e hipotensão. Já idade avançada, diabetes isolado, sexo feminino e doença hepática podem até aparecer como associações em alguns contextos, mas não são o destaque mais clássico para esta pergunta. Se você pensou “diabetes” automaticamente, a banca estava justamente esperando esse reflexo: diabetes sem doença renal prévia não é o melhor marcador de risco aqui.