O gene FMR1 é uma causa de frequentes manifestações clínicas relevantes, já descrita há décadas. Das opções a seguir, assinale a que não sugere doença do espectro do FMR1.
- A)Mulher com menopausa precoce – aos 35 anos.
Correta como sugestiva, porque insuficiência ovariana precoce é uma associação clássica das premutações do FMR1.
- B)Adolescente masculino com deficiência intelectual e autismo.
Correta como sugestiva, pois deficiência intelectual e autismo em adolescente masculino lembram bem a síndrome do X frágil.
- C)Adolescente feminina com desenvolvimento neuropsicomotor preservado e epilepsia.
Incorreta como sugestiva, porque epilepsia isolada com desenvolvimento preservado não é o padrão típico do espectro FMR1.
- D)Homem de 61 anos, com ataxia, depressão e transtorno de ansiedade.
Correta como sugestiva, já que ataxia e sintomas psiquiátricos em homem idoso apontam para FXTAS.
- E)Escolar de 7 anos, feminina, com deficiência intelectual.
Correta como sugestiva, pois deficiência intelectual em criança, especialmente do sexo feminino, pode ocorrer no espectro do FMR1.
Gabarito: C
O gene FMR1 entra em cena quando pensamos no chamado espectro relacionado ao X frágil. Ele pode aparecer de jeitos diferentes ao longo da vida: deficiência intelectual e traços autísticos na infância, insuficiência ovariana prematura em mulheres, e em idosos a síndrome do tremor/ataxia associada ao X frágil (FXTAS), com ataxia, tremor e sintomas psiquiátricos. Em resumo: o mesmo gene, rostos clínicos bem diferentes. A lógica da questão é reconhecer quais quadros sugerem esse espectro. Menopausa precoce, menino com deficiência intelectual e autismo, homem mais velho com ataxia e sintomas psiquiátricos, e até escolar com deficiência intelectual podem levantar essa suspeita. O FMR1 costuma ser lembrado justamente por essa variedade, então a banca gosta de misturar manifestações clássicas e outras mais “de prova”. A alternativa C é a que não sugere, de forma típica, doença do espectro FMR1. Uma adolescente com desenvolvimento neuropsicomotor preservado e epilepsia isolada não é o retrato esperado do X frágil, que costuma envolver atraso do desenvolvimento, dificuldade cognitiva e, muitas vezes, alterações comportamentais. Epilepsia pode até aparecer em alguns pacientes, mas sozinha, com desenvolvimento normal, não é a pista mais coerente aqui. Doutrinariamente, o ponto-chave é lembrar que as mutações do FMR1 causam um espectro clínico amplo por mecanismo de expansão de repetição CGG, com fenótipo dependente da faixa etária e do sexo. A prova quer que você reconheça o padrão e não se deixe levar por um achado isolado que não fecha o conjunto.