Paciente masculino, 30 anos, com queixa de dor abdominal difusa, de início súbito, há 24 horas. A dor é localizada inicialmente na região periumbilical, com evolução para a fossa ilíaca direita, com piora nas últimas horas. Refere náuseas e febre baixa (38 °C), sem vômitos. Ao exame físico, dor à palpação da FID e hipogástrio sem sinais de defesa muscular. O exame laboratorial revela leucocitose com desvio à esquerda (14.000 leucócitos/mm³). A ultrassonografia abdominal mostra uma área de inflamação e espessamento da parede intestinal na região do íleo terminal, sugestivo de apendicite aguda. Diante desse quadro foi submetido a videolaparoscopia exploradora que identificou um apêndice cecal normal e a presença de um divertículo à 60 cm da válvula íleo cecal, com sinais inflamatórios, sem abscedação. A conduta adequada para o caso é
- A)realizar ileotiflectomia e reconstrução com anastomose do íleo com o ascendente.
Errada, porque ileotiflectomia é uma ressecção mais ampla do que o necessário para um divertículo de Meckel inflamado sem comprometimento cecal.
- B)realizar ressecção do segmento do íleo englobando o divertículo com anastomose primária.
Certa, pois o divertículo inflamado deve ser retirado por ressecção segmentar do íleo com anastomose primária quando não há abscesso ou outra complicação maior.
- C)não ressecar o divertículo, manter antibioticoterapia de amplo espectro e orientação dietética no pós operatório.
Errada, porque antibiótico isolado não resolve um divertículo de Meckel já identificado como foco inflamatório no ato operatório.
- D)não ressecar e programar colonoscopia terapêutica para evacuar qualquer conteúdo que esteja obstruindo o divertículo.
Errada, porque colonoscopia não é tratamento para divertículo de Meckel inflamado e não tem papel para 'evacuar conteúdo obstruindo' essa lesão.
- E)não ressecar, colocar um dreno junto ao divertículo, manter antibioticoterapia de amplo espectro e orientação dietética no pós operatório.
Errada, porque dreno e observação não substituem a ressecção do foco cirúrgico em diverticulite de Meckel.
Gabarito: B
Esse quadro começa como uma apendicite perfeita no papel: dor periumbilical migrando para a fossa ilíaca direita, febre baixa, leucocitose e US sugerindo inflamação no íleo terminal. Só que a laparoscopia fez a clássica virada de roteiro: apêndice normal e um divertículo inflamadinho no íleo, a 60 cm da válvula ileocecal. Isso é bem compatível com divertículo de Meckel complicado, que pode sim simular apendicite aguda. Quando o divertículo de Meckel está inflamado, a conduta depende do achado intraoperatório e da presença de complicações. Na ausência de abscesso e com inflamação localizada, a melhor conduta é ressecção do segmento intestinal que contém o divertículo, com anastomose primária. Isso evita deixar tecido doente para trás e reduz risco de recorrência ou complicações posteriores. A ideia de fazer apenas antibiótico, dreno ou observar seria boa para um paciente que não tivesse lesão cirúrgica definida, mas aqui já houve diagnóstico operatório de diverticulite de Meckel. E ileotiflectomia seria grande demais para o problema descrito, pois a lesão está localizada no íleo, sem necessidade de retirar ceco e cólon ascendente. Em prova, pense assim: Meckel inflamado e sem abscesso costuma pedir ressecção segmentar. Se houver base larga, suspeita de tecido ectópico, perfuração ou comprometimento da base, a ressecção intestinal ganha ainda mais força. O gabarito B está correto porque trata a fonte da inflamação com cirurgia definitiva e preserva o restante do intestino.