O protocolo de manejo insulínico adequado para o manejo da cetoacidose diabética é:
- A)iniciar a insulinoterapia em bolus, seguidos de descontinuação após redução do nível de glicose.
Errada: na cetoacidose diabética, insulina em bolus isolado não é o protocolo padrão e não deve ser suspensa só porque a glicose caiu.
- B)iniciar infusão contínua de insulina após a ressuscitação volêmica.
Certa: a conduta é iniciar infusão contínua de insulina após a ressuscitação volêmica, para reduzir glicose e cetogênese de forma controlada.
- C)prescrever insulina subcutânea e monitorar glicose capilar em intervalos de quatro horas.
Errada: a insulina subcutânea com controle a cada quatro horas não é o esquema adequado para o quadro agudo de cetoacidose diabética.
- D)aumentar a dose de insulina basal no regime existente antes do episódio.
Errada: aumentar a insulina basal pode ser útil em ajustes crônicos, mas não substitui o tratamento agudo com hidratação e infusão contínua.
- E)utilizar insulina somente se o nível de glicose permanecer alto após cinco horas.
Errada: atrasar a insulina por várias horas piora a acidose e a produção de cetonas, que são o ponto central do problema.
Gabarito: B
Na cetoacidose diabética, a prioridade é corrigir a desidratação e a hipoperfusão antes de mexer com a insulina. Por isso, o manejo começa com ressuscitação volêmica com soro fisiológico, e só depois se inicia a insulina em infusão contínua. Isso ajuda a reduzir a glicemia de forma gradual e, principalmente, a bloquear a produção de corpos cetônicos, que é o verdadeiro problema da cetoacidose. A ideia não é dar “picos” de insulina em bolus e sair correndo quando a glicose baixar. O tratamento precisa ser contínuo, com monitorização frequente de glicemia, potássio e equilíbrio ácido-base. Se o potássio estiver baixo, ele deve ser corrigido antes ou junto da insulina, porque a insulina empurra potássio para dentro da célula e pode precipitar arritmias. O gabarito B está correto justamente porque descreve a sequência clássica do protocolo: primeiro volume, depois insulina em infusão contínua. Em linhas gerais, isso é o que as diretrizes clínicas recomendam para DKA em adultos e também na pediatria, com ajustes conforme gravidade e eletrólitos. O foco é tratar a causa metabólica, não só baixar o número da glicemia. Em resumo: cetoacidose não se resolve com pressa mal organizada. Primeiro reidrata, depois insulina contínua, e sempre olhando de perto o potássio e a resposta clínica. O paciente melhora quando você corrige a falta de insulina e a desidratação ao mesmo tempo, com método, não com improviso.