Paciente com 27 anos, portadora do vírus HIV e usuária de DIU, inicia quadro de dor pélvica intensa, calafrios, corrimento amarelado e náuseas. Ao exame clínico, o abdômen está doloroso à palpação profunda em hipogástrio, com descompressão dolorosa. Ao toque, há dor na compressão da região inguinal direita e na mobilização do colo. O hemograma evidenciou leucocitose, a cultura de urina foi negativa e o betaHCG foi negativo. A ultrassonografia evidenciou uma massa mista em região anexial direita medindo 5 cm. Nessa situação, o mais indicado a fazer é:
- A)internação e iniciar antibiótico venoso;
Correta, porque há DIP grave/abscesso tubo-ovariano com sinais sistêmicos e massa anexial, exigindo internação e antibiótico venoso.
- B)internação e iniciar antibiótico oral;
Errada, porque antibiótico oral não é suficiente diante de quadro complicado com leucocitose, descompressão dolorosa e massa anexial.
- C)tratamento ambulatorial com antibiótico;
Errada, porque tratamento ambulatorial é reservado para DIP leve, sem sinais de gravidade ou suspeita de abscesso.
- D)tratamento ambulatorial com sintomáticos;
Errada, porque sintomáticos isolados não tratam infecção pélvica grave e ainda atrasam o manejo adequado.
- E)histerectomia total.
Errada, porque histerectomia total não é a conduta inicial para DIP/abscesso tubo-ovariano; primeiro vem tratamento clínico hospitalar.
Gabarito: A
O quadro descreve uma doença inflamatória pélvica (DIP) grave, provavelmente complicada por abscesso tubo-ovariano: dor pélvica intensa, corrimento, calafrios, leucocitose, dor à mobilização do colo e massa anexial na ultrassonografia. Em ginecologia, quando a paciente tem sinais sistêmicos, exame exuberante e imagem sugerindo coleção, a conduta não é "observar para ver" nem tratar de forma leve em casa. Aqui o raciocínio é de infecção pélvica complicada, com risco de piora, ruptura do abscesso e sepse. Por isso, a conduta indicada é internação e antibiótico venoso. O tratamento hospitalar permite controle da dor, hidratação, vigilância clínica e início de esquema endovenoso com cobertura para gonococo, clamídia, anaeróbios e flora polimicrobiana. Em geral, se a resposta for ruim ou a coleção for maior, pode haver necessidade de drenagem ou abordagem cirúrgica, mas o primeiro passo é estabilizar e antibiótico IV. O betaHCG negativo ajuda a afastar gravidez ectópica, que também entra no diferencial de dor pélvica aguda. A ultrassonografia mostrando massa anexial reforça a suspeita de abscesso tubo-ovariano, e o DIU não é motivo para ignorar o quadro, especialmente se houver sinais de infecção ativa. O HIV também aumenta a preocupação com evolução mais complicada. Em resumo: é um quadro que pede internação. Em prova, quando a paciente está "febril por dentro", com sinais de peritonismo e massa anexial, pense em DIP complicada e trate como caso hospitalar. Nada de antibiótico oral ou sintomático isolado aqui.