Paciente de 58 anos apresenta proptose unilateral de início gradual e um deslocamento inferior e medial do globo ocular esquerdo. A exoftalmometria de Hertel revelou proptose de mais de 18 mm com a diferença entre os dois olhos de mais de 2 mm. A retropulsão do globo ocular esquerdo era limitada em comparação ao globo contralateral. Alegou diplopia, baixa visual esquerda, lacrimejamento e desconforto ocular. Hormônios tireoidianos normais. A tomografia computadorizada das órbitas evidencia imagem arredondada, bem definida, com algumas calcificações, e remodelação óssea localizada na região supero-temporal esquerda. Esse quadro é compatível com
- A)neoplasia linfoproliferativa.
Errada, porque neoplasia linfoproliferativa costuma ter aspecto mais infiltrativo e não costuma gerar essa combinação clássica de massa supero-temporal bem delimitada com remodelação óssea focal.
- B)adenoma pleomórfico da glândula lacrimal.
Certa, pois adenoma pleomórfico da glândula lacrimal costuma causar proptose unilateral lenta, deslocamento inferomedial do globo e massa bem definida na região supero-temporal com remodelação óssea.
- C)sarcoidose.
Errada, porque sarcoidose pode acometer a órbita, mas o padrão de imagem e a apresentação aqui são mais compatíveis com tumor lacrimal benigno do que com doença inflamatória granulomatosa.
- D)oftalmopatia de Graves.
Errada, porque a oftalmopatia de Graves geralmente cursa com alterações tireoidianas ou história compatível, acometimento muscular típico e, com frequência, bilateralidade.
- E)carcinoma adenoide cístico.
Errada, porque o carcinoma adenoide cístico da glândula lacrimal tende a ser mais agressivo, infiltrativo e doloroso, com destruição óssea mais marcada do que remodelação localizada.
Gabarito: B
Proptose unilateral de início lento sempre pede atenção, porque lesões orbitárias expansivas costumam empurrar o globo ocular para a direção oposta da lesão. Quando a massa fica na região supero-temporal, o olho tende a desviar para baixo e para dentro, já que a glândula lacrimal fica justamente ali. A limitação da retropulsão também sugere efeito de massa orbitária, e não um quadro inflamatório difuso ou doença tireoidiana. A tomografia com imagem arredondada, bem delimitada, com calcificações e remodelação óssea localizada é bem típica de tumor benigno de crescimento lento da glândula lacrimal, especialmente o adenoma pleomórfico. Ele costuma causar proptose indolor, diplopia e desconforto, e por crescer devagar pode deformar a órbita sem invadi-la de forma agressiva. A ideia-chave aqui é: massa bem definida + localização supero-temporal + deslocamento inferomedial do globo = pense em glândula lacrimal. O fato de os hormônios tireoidianos serem normais também ajuda a afastar oftalmopatia de Graves, que geralmente é bilateral, com retração palpebral e aumento dos músculos extraoculares. Já neoplasias linfoproliferativas e sarcoidose costumam ter outros padrões de imagem e contexto clínico, muitas vezes menos encapsulados e com sinais sistêmicos associados. Portanto, o quadro é compatível com adenoma pleomórfico da glândula lacrimal. Em prova, a banca adora essa combinação de localização anatômica + desvio do globo + imagem bem delimitada. Quando a órbita “empurra” o olho de forma elegante e lenta, o culpado muitas vezes é a glândula lacrimal fazendo figuração de massa.