Em relação ao Glaucoma Congênito Primário, assinale a afirmativa mais correta.
- A)Estudos com microscopia eletrônica verificaram a presença de uma membrana imperfurada cobrindo a malha trabecular (membrana de Barkan) a qual dificulta o escoamento do humor aquoso, elevando a pressão intraocular;
Errada: a membrana de Barkan é uma hipótese histórica e não a explicação mais cobrada como lesão primária definitiva, além de simplificar demais a fisiopatologia do glaucoma congênito.
- B)O tratamento é essencialmente cirúrgico, sendo a técnica da goniotomia a mais indicada para casos com edema de córnea, onde o seio camerular não pode ser visto com nitidez;
Errada: a goniotomia é indicada quando a córnea permite boa visualização do ângulo, e não quando há edema corneano intenso; nesse cenário, a técnica costuma ser outra.
- C)É uma doença que, quando negligenciada, leva inevitavelmente à cegueira. Tem como causa uma anomalia primária no desenvolvimento do seio camerular, impedindo o escoamento do humor aquoso. Classicamente se apresenta com fotofobia, lacrimejamento e blefaroespasmo.
Certa: descreve a anomalia primária do seio camerular, o prejuízo do escoamento do humor aquoso e a tríade clínica clássica de fotofobia, lacrimejamento e blefaroespasmo.
- D)O tratamento é essencialmente cirúrgico, sendo as técnicas de trabeculectomia e do implante de drenagem as mais indicadas para casos sem edema de córnea;
Errada: trabeculectomia e implantes de drenagem não são as opções mais indicadas como regra para casos sem edema de córnea, porque a escolha inicial depende da visualização do ângulo e da técnica apropriada para glaucoma congênito.
- E)O aumento do globo ocorre na junção corneoescleral. O endotélio e a membrana de Descemet são tracionados e se rompem, formando as estrias de Vogt. Se a ruptura for abrupta, o aquoso entra no estroma e epitélio, causando a hidropsia aguda.
Errada: isso descreve as alterações da esclerocórnea/buftalmo em outras condições, como o alongamento ocular com estrias de Haab e hidropsia aguda, e não o mecanismo clássico descrito para o glaucoma congênito primário.
Gabarito: C
O glaucoma congênito primário é uma neuropatia óptica que surge por defeito de desenvolvimento do ângulo da câmara anterior, especialmente da malha trabecular e do seio camerular, o que dificulta a drenagem do humor aquoso. Em bebê e criança pequena, o aumento da pressão intraocular costuma deixar sinais bem típicos: fotofobia, lacrimejamento e blefaroespasmo. Quando persiste, pode haver aumento do globo ocular, edema de córnea e dano visual importante. O ponto central é que não se trata de um glaucoma que você controla bem só com colírio. O tratamento é essencialmente cirúrgico, porque o problema anatômico está na via de escoamento. Por isso, as técnicas variam conforme a transparência da córnea e a visualização do ângulo: se a córnea está clara e o seio camerular pode ser visto, a goniotomia é uma ótima opção; se a córnea está opaca e não permite boa visualização, costuma-se preferir trabeculotomia ou procedimentos filtrantes/implantes de drenagem, conforme o caso. A alternativa C é a mais correta porque descreve exatamente o quadro clássico: anomalia primária do desenvolvimento do seio camerular, piora do escoamento do humor aquoso e apresentação com fotofobia, lacrimejamento e blefaroespasmo. A frase sobre cegueira precisa ser lida como risco grave se não houver tratamento, e não como destino inevitável em todos os casos. Em resumo: pense em criança pequena com olho sensível à luz, lacrimejando e com blefaroespasmo, e lembre que a falha está na drenagem. No glaucoma congênito primário, o olho “não escoa”, sobe a pressão e a solução costuma vir do bisturi, não da paciência.