Uma adolescente de 14 anos foi internada com queixas de dor torácica súbita, dispneia e cianose periférica. Após investigação, foi diagnosticada com embolia pulmonar. Sua história clínica revelou dois episódios prévios de trombose venosa profunda e a presença de livedo reticular nos membros inferiores. Exames laboratoriais mostraram positividade para anticoagulante lúpico e anticorpos anticardiolipina em títulos elevados em duas ocasiões, com intervalo de 12 semanas. Com base nesses achados, o diagnóstico mais provável e o manejo inicial recomendado são, respectivamente,
- A)trombofilia hereditária, iniciar anticoagulação com heparina de baixo peso molecular e rastrear mutações como Fator V de Leiden.
Errada: trombofilia hereditária não explica bem os achados autoimunes, como livedo reticular e anticorpos antifosfolipídeos persistentemente positivos.
- B)síndrome do anticorpo antifosfolipídeo, iniciar anticoagulação com heparina de baixo peso molecular e considerar aspirina em baixas doses.
Certa: o conjunto de trombose recorrente, livedo reticular e anticorpos antifosfolipídeos confirmados em duas ocasiões aponta para síndrome do anticorpo antifosfolipídeo, com anticoagulação inicial.
- C)doença autoimune sistêmica inespecífica, prescrever imunossupressores e acompanhar com exames periódicos de coagulação.
Errada: não há base para tratar como doença autoimune inespecífica, porque os critérios laboratoriais e trombóticos apontam para uma síndrome definida.
- D)vasculite associada ao lúpus eritematoso sistêmico e realizar pulsoterapia com corticoides e anticoagulação profilática.
Errada: lúpus pode se associar à SAF, mas a questão não descreve quadro de vasculite lúpica nem indica pulsoterapia como manejo inicial do tromboembolismo.
- E)tromboembolismo pulmonar como manifestação de doença pulmonar crônica e iniciar antibióticos de amplo espectro.
Errada: embolia pulmonar aqui é consequência de estado trombofílico autoimune, não de doença pulmonar crônica, e antibiótico não trata o mecanismo do evento.
Gabarito: B
O quadro descreve uma síndrome antifosfolipídeo (SAF): trombose venosa recorrente, livedo reticular e anticorpos antifosfolipídeos positivos em duas dosagens com intervalo de 12 semanas. Em prova, isso é quase um “carimbo” da SAF: evento trombótico + autoanticorpos persistentes. Em jovens, especialmente adolescentes, sempre vale pensar nessa hipótese quando há trombose sem explicação clara ou com recorrência. Os critérios laboratoriais mais cobrados são anticoagulante lúpico, anticardiolipina e anti-beta2-glicoproteína I, com positividade persistente. O detalhe do intervalo de 12 semanas não está ali por decoração: ele serve para mostrar que não foi um achado passageiro, mas sim uma condição mantida ao longo do tempo. Isso diferencia de positividade transitória, que pode aparecer em infecções e outros contextos. No manejo inicial, a prioridade é anticoagulação. Na fase aguda da embolia pulmonar, a heparina de baixo peso molecular é uma escolha clássica e segura, porque controla o evento trombótico atual. Em muitos pacientes com SAF e trombose prévia, depois entra anticoagulação prolongada, e a aspirina em baixa dose pode ser considerada em situações selecionadas, especialmente em formas associadas ao risco arterial ou conforme o contexto clínico. Por isso, o gabarito é B: síndrome do anticorpo antifosfolipídeo, com início de heparina de baixo peso molecular e consideração de aspirina em baixa dose. A banca costuma cobrar exatamente essa combinação de clínica sugestiva + anticorpos positivos persistentes + anticoagulação como tratamento de partida.