Os critérios para a indicação de implante coclear unilateral ou bilateral (critério médico) em crianças de até 6 anos de idade incluem os a seguir listados, e todos devem estar presentes, exceto um. Assinale-o.
- A)Perda auditiva neurossensorial severa ou profunda bilateral.
Correta, porque a indicação exige perda auditiva neurossensorial bilateral severa ou profunda.
- B)Motivação adequada da família para o uso do implante coclear.
Correta, pois a adesão da família ao uso do implante é fundamental para o sucesso terapêutico.
- C)Sem benefício com o uso de aparelhos de amplificação sonora individual por um período mínimo de 3 meses na perda auditiva severa (dispensável nos casos de meningite).
Correta, já que deve haver ausência de benefício com AASI por período mínimo, com exceção dos casos de meningite.
- D)Presença de código linguístico estabelecido.
Errada, porque a presença de código linguístico estabelecido não é requisito para a indicação em crianças até 6 anos.
- E)Motivação adequada da família para o processo de reabilitação fonoaudiológica.
Correta, pois a motivação da família para a reabilitação fonoaudiológica integra os critérios de indicação.
Gabarito: D
O implante coclear em crianças pequenas não é decidido só pelo audiograma. Na prática, a indicação médica depende de um conjunto de critérios: perda auditiva neurossensorial bilateral severa ou profunda, pouca ou nenhuma resposta com aparelhos de amplificação por tempo adequado, e uma família engajada tanto no uso do dispositivo quanto na reabilitação fonoaudiológica. Em outras palavras, não basta “colocar o implante e torcer”; o sucesso exige indicação correta e acompanhamento sério. Para crianças de até 6 anos, a lógica é a de beneficiar quem ainda está em fase de desenvolvimento da linguagem. Por isso, a legislação sanitária e os protocolos de referência em implante coclear costumam exigir perda bilateral importante e falha com AASI, além de suporte familiar. Em casos de meningite, a exigência de teste com aparelhos pode ser dispensada, porque o risco de ossificação coclear pode tornar a demora prejudicial. O gabarito é a letra D porque “presença de código linguístico estabelecido” não é critério obrigatório para essa faixa etária. Na verdade, em crianças pequenas, especialmente as com perda auditiva pré-lingual, justamente se busca intervir antes de a linguagem estar consolidada, para favorecer aquisição auditiva e desenvolvimento da fala. Se o código linguístico já estivesse estabelecido, isso afastaria a lógica de indicação precoce que o implante pretende preservar. Então, guarde a ideia central: criança pequena com perda auditiva severa/profunda bilateral, sem ganho com AASI, família motivada e pronta para reabilitação. O detalhe que derruba muita gente é confundir critérios de indicação em adultos ou em crianças mais velhas com os de crianças até 6 anos.