Em relação ao infarto agudo do miocárdio, assinale a afirmativa correta.
- A)Nos pacientes com dor típica e que não apresentam elevação do segmento ST, a doença coronariana de três vasos é incomum.
Errada, porque doença de três vasos pode ocorrer em pacientes com dor típica e sem elevação de ST, e justamente esse perfil pode representar doença coronariana grave.
- B)Nos pacientes sem elevação de ST no eletrocardiograma, a incidência de angina instável é maior do que a do infarto agudo do miocárdio por conta da maior sensibilidade dos testes sanguíneos.
Errada, porque a maior incidência de angina instável entre casos sem supra não se explica por “maior sensibilidade dos testes sanguíneos”, e a troponina serve para separar angina instável de infarto sem elevação de ST.
- C)A incidência de infarto agudo do miocárdio com elevação de ST no eletrocardiograma está diminuindo por intervenções médicas e mudança de hábitos.
Certa, pois a incidência de infarto com elevação de ST vem diminuindo com prevenção, tratamento e mudanças de hábitos.
- D)A presença de alterações do eletrocardiograma como infradesnivelamento do segmento ST não ocorre nos pacientes com infarto agudo do miocárdio sem elevação do ST e devem levar a hipóteses alternativas como pericardite.
Errada, porque no infarto sem elevação de ST podem existir alterações no ECG, como infradesnivelamento do ST e inversão de onda T, e isso não aponta automaticamente para pericardite.
- E)A medição sérica de troponina não é útil em um paciente com equivalente anginoso se o eletrocardiograma não evidenciar elevação do ST, pois existem múltiplas causas para a elevação da troponina.
Errada, porque a troponina é útil mesmo sem supra de ST em paciente com equivalente anginoso, justamente para diagnosticar lesão miocárdica e diferenciar angina instável de infarto.
Gabarito: C
No infarto agudo do miocárdio, a primeira grande divisão prática é entre o quadro com elevação do ST e o sem elevação do ST. Isso ajuda a entender que nem todo infarto vem com aquele traçado “clássico” chamando atenção no eletrocardiograma, e que os marcadores de necrose, especialmente a troponina, são muito importantes na confirmação diagnóstica. Em pacientes com dor típica ou equivalente anginoso, mesmo sem elevação do ST, a investigação continua sendo séria, porque pode haver síndrome coronariana aguda por obstrução importante, lesão de múltiplos vasos e risco alto de eventos. A alternativa C está correta porque a incidência de infarto com elevação do ST tem diminuído ao longo do tempo em vários cenários, graças a prevenção cardiovascular, controle de fatores de risco, uso mais amplo de estatinas, antiagregantes e intervenções médicas mais precoces. Além disso, parte dos casos que antes seriam classificados como IAM com supradesnivelamento hoje pode ser reconhecida e tratada mais cedo, reduzindo a progressão para quadros extensos. Já nas síndromes sem elevação de ST, o ECG pode mostrar desde infra de ST até inversão de T ou até mesmo vir sem alterações muito marcantes no início. Por isso, a ausência de supra não exclui infarto, e a troponina continua sendo peça-chave. Na prática, o raciocínio é: dor suspeita + ECG nem sempre “gritante” + biomarcador positivo = síndrome coronariana aguda até prova em contrário. Em resumo: o STEMI vem se tornando menos frequente, enquanto a avaliação do paciente com suspeita de síndrome coronariana precisa combinar clínica, ECG e troponina. A banca gosta de testar justamente essa ideia de que infarto não é sinônimo de supra de ST, e que o cenário moderno da cardiologia mudou o perfil dos casos.