Nas glomerulopatias podem ser detectadas células no sedimento urinário, através do estudo por meio da microscopia de contraste de fase, que indicam esta lesão glomerular. Essas células são
- A)hemácias crenadas.
Errada: hemácias crenadas podem aparecer por alterações osmóticas, mas não são o achado clássico que indica hematúria de origem glomerular.
- B)eritrócitos dismórficos.
Certa: os eritrócitos dismórficos são típicos de sangramento glomerular e são o achado esperado na microscopia de contraste de fase.
- C)células epiteliais do epitélio de transição.
Errada: células epiteliais de transição sugerem descamação do trato urinário, não lesão glomerular.
- D)neutrófilos segmentados.
Errada: neutrófilos segmentados indicam processo inflamatório/infeccioso, não o padrão morfológico de glomerulopatia.
- E)neutrófilos degenerados e neutrófilos agrupados.
Errada: neutrófilos degenerados e agrupados apontam mais para infecção urinária do que para hematúria glomerular.
Gabarito: B
Nas glomerulopatias, o sangramento vem do glomérulo, então as hemácias passam pela barreira de filtração “machucadas” e deformadas. Na microscopia de contraste de fase, isso aparece como eritrócitos dismórficos, que são um achado clássico de hematúria de origem glomerular. Em geral, quando você vê hemácia com formato estranho, com contornos irregulares e variações de tamanho, o raciocínio vai para lesão glomerular e não para sangramento “de baixo”, como bexiga ou uretra. Isso é útil porque a microscopia ajuda a diferenciar hematúria glomerular de hematúria não glomerular. Se a origem fosse pós-glomerular, você esperaria hemácias mais preservadas, com morfologia mais uniforme. Já nos glomérulos doentes, a travessia pela membrana basal e pelos podócitos acaba deformando a célula no caminho, como se ela tivesse passado por uma catraca apertada. Por isso o gabarito é a letra B: eritrócitos dismórficos. Esse é o marcador morfológico que aponta para lesão glomerular no sedimento urinário. As demais alternativas descrevem outras células ou alterações que não têm esse valor típico para glomerulopatia. Em prova, a lógica é simples: se o enunciado fala em microscopia de contraste de fase e lesão glomerular, pense em hemácia deformada, não em célula inflamatória ou epitelial.