Avalie as seguintes assertivas sobre equivalência analgésica dos opioides. I. A morfina por via parenteral é três vezes mais potente que a por via enteral. II. A correlação da potência analgésica entre metadona e morfina não é linear III. A metadona por via parenteral é cinco vezes mais potente que a por via enteral. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa afirma que somente a I seria verdadeira, ou seja, que a morfina por via parenteral tem potência cerca de três vezes maior que por via enteral. Esse raciocínio está correto quanto à I, porque a morfina oral sofre efeito de primeira passagem e, nas tabelas equianalgésicas, a via parenteral costuma exigir cerca de um terço da dose oral. O erro é ignorar a II, que também é verdadeira, pois a equivalência metadona-morfina não segue proporção fixa.
- B)I e II, apenas.
A alternativa reúne as assertivas I e II, isto é, reconhece que a morfina parenteral é aproximadamente 3 vezes mais potente que a enteral e que a relação entre metadona e morfina varia de forma não linear. A I é compatível com as doses equianalgésicas usuais, e a II é correta porque a conversão para metadona depende da dose prévia de morfina, refletindo potência relativa variável. A III, porém, não se sustenta, já que a metadona tem biodisponibilidade oral alta e a diferença entre via parenteral e enteral não chega a 5:1.
- C)I e III, apenas.
Aqui se aceita a I e a III. A primeira está bem colocada, pois a morfina parenteral costuma ser cerca de 3 para 1 mais potente do que a oral/enteral; já a terceira não procede, porque a metadona não perde tanta potência na via oral, cuja biodisponibilidade é elevada, e a relação parenteral-enteral é muito menor que 5:1. Além disso, a II também é verdadeira, então a alternativa omite uma assertiva correta.
- D)II e III, apenas.
A alternativa aposta na II e na III. A II realmente está de acordo com a farmacologia da metadona, cuja equivalência com a morfina não é linear e varia conforme a dose de referência. O problema está na III, porque a metadona por via enteral não é cerca de cinco vezes menos potente do que por via parenteral; sua absorção oral é boa e a diferença entre as vias é bem menor. Também fica de fora a I, que é verdadeira.
- E)I, II e III.
A alternativa considera verdadeiras as três assertivas. Isso acerta na I, que reflete a equivalência clássica da morfina parenteral em torno de 3 para 1 frente à via enteral, e na II, porque a conversão entre metadona e morfina depende da dose e não segue regra linear. O erro está na III: a metadona tem alta biodisponibilidade oral, então não se sustenta dizer que a via parenteral seja cinco vezes mais potente que a enteral.
Gabarito: B
Quando voce compara opioides, o ponto principal é que a dose nao vale igual para todas as vias nem para todos os fármacos. A morfina, por exemplo, sofre bastante metabolismo de primeira passagem quando dada por via enteral, por isso a dose oral costuma ser bem maior que a parenteral. Na pratica, a morfina parenteral é cerca de 3 vezes mais potente que a enteral, então a assertiva I está correta. Já a metadona tem uma fama importante nas provas: sua relação de potência com a morfina nao é linear. Isso quer dizer que nao existe uma conversão fixa e bonitinha que funcione em qualquer cenário, porque a equivalência varia com dose prévia de opioide, tolerância e tempo de uso. Por isso, a assertiva II também está correta. A terceira afirmativa derrapa ao cravar uma equivalência fixa entre via parenteral e enteral da metadona. Em prova, desconfie de números absolutos e muito certinhos quando o tema é metadona, porque ela costuma exigir conversões mais cautelosas e individualizadas. Assim, o gabarito é a alternativa B: estão corretas apenas as assertivas I e II.