Um paciente de 49 anos portador de uma DPOC é internado no CTI com agudização da doença devido a uma infecção. Encontra-se dispneico e é tratado inicialmente com nebulização com broncodilatadores, corticoide IV e antibioticoterapia IV. Uma hora depois de iniciado o tratamento, o paciente permanece taquipneico com frequência respiratória de 28 irpm, saturação de oxigênio de 88% e escala de Glasgow de 15. Na gasometria encontramos o seguinte resultado: pH: 7,24, PCO2: 70 mmHg e PO2: 58 mmHg. A melhor conduta na sequência é
- A)repetir a nebulização com broncodilatadores.
Errada, porque repetir broncodilatador sozinho não resolve a acidose respiratória nem a retenção importante de CO2 já instalada.
- B)aplicar ventilação não invasiva.
Certa, porque a ventilação não invasiva é a melhor medida na exacerbação de DPOC com insuficiência ventilatória aguda e paciente consciente/cooperativo.
- C)infusão de cetamina venosa.
Errada, porque cetamina não é tratamento da exacerbação da DPOC e não corrige a hipercapnia como estratégia ventilatória.
- D)bolus de aminofilina venosa.
Errada, porque aminofilina tem pouco benefício na prática e não é a conduta de escolha diante de acidose hipercápnica.
- E)associar um segundo antibiótico venoso.
Errada, porque aumentar antibiótico não trata o quadro respiratório agudo nem substitui suporte ventilatório quando há falência gasométrica.
Gabarito: B
Na exacerbação de DPOC, o passo decisivo depende de dois pontos: gravidade clínica e gasometria. Aqui o paciente continua taquipneico, com hipoxemia e, principalmente, apresenta acidose respiratória aguda com pH 7,24 e PCO2 70 mmHg. Isso mostra falha ventilatória, ou seja, ele não está conseguindo eliminar CO2 adequadamente, mesmo após o tratamento inicial. Nessa situação, a conduta mais útil costuma ser a ventilação não invasiva, desde que o paciente esteja consciente, colaborativo e sem contraindicações importantes. A ventilação não invasiva ajuda a reduzir o trabalho respiratório, melhora a ventilação alveolar e corrige a hipercapnia, sendo muito usada na exacerbação da DPOC com acidose. É um daqueles casos em que a máscara faz mais do que muita fala bonita: ela realmente muda o desfecho quando bem indicada. O paciente tem Glasgow 15, então está preservado para cooperar, o que favorece ainda mais essa escolha. Repetir broncodilatador e seguir esperando pode ser insuficiente quando já há acidose e retenção de CO2. Aminofilina não é a preferida na prática moderna, por benefício limitado e mais efeitos adversos. Cetamina pode ser usada em contextos específicos de intubação ou sedação, mas não trata a falência ventilatória da exacerbação de DPOC. E apenas ampliar antibiótico não resolve o problema imediato da troca gasosa. Em resumo: DPOC agudizada + pH baixo + hipercapnia + paciente acordado e cooperativo aponta para ventilação não invasiva como melhor sequência terapêutica.