Em relação à comparação dos sobreviventes da pólio com sintomas de síndrome pós-pólio com aqueles sem sintomas, assinale a afirmativa correta.
- A)A recuperação da força após exercícios extenuantes é pouco diferente entre os grupos.
Errada, porque a recuperação da força após esforço costuma ser pior nos sintomáticos, com mais fadiga e pior tolerância ao exercício.
- B)Indivíduos sintomáticos apresentam mais força muscular.
Errada, porque os sintomáticos não apresentam mais força muscular; em geral, eles têm mais fraqueza e menor reserva funcional.
- C)Indivíduos sintomáticos tem uma história de maior envolvimento durante o seu quadro inicial.
Certa, porque a síndrome pós-pólio é mais associada a maior gravidade do quadro inicial de poliomielite, com maior comprometimento neuromuscular prévio.
- D)Não existe diferença significativa na capacidade de trabalho dos dois grupos.
Errada, porque os sintomáticos geralmente têm pior capacidade de trabalho e menor tolerância ao esforço.
- E)O exame eletromiográfico permite claramente a separação entre os grupos.
Errada, porque a eletromiografia ajuda, mas não separa claramente os grupos nem confirma sozinha a síndrome pós-pólio.
Gabarito: C
A síndrome pós-pólio aparece anos depois da infecção aguda, em pessoas que pareciam “estáveis” por muito tempo, mas passam a ter nova fraqueza, fadiga e dor muscular. O ponto central da questão é comparar quem tem sintomas com quem não tem sintomas entre os sobreviventes da pólio. Em geral, os pacientes sintomáticos tiveram um quadro inicial mais grave na infância ou adolescência, com maior comprometimento neuromuscular na fase aguda. Isso faz sentido: quanto maior o dano original, maior a chance de haver unidade motora sobrecarregada e, décadas depois, surgir falência tardia dessas estruturas. A história clínica do surto inicial, portanto, costuma ser mais pesada nos sintomáticos. Já a ideia de que o exame eletromiográfico separa claramente os grupos não é boa: a EMG pode mostrar alterações compatíveis com denervação prévia, mas isso não diferencia de forma nítida quem terá ou não síndrome pós-pólio. O diagnóstico é clínico e por exclusão, não por um “teste mágico”. Por isso, o gabarito é a letra C: indivíduos sintomáticos tendem a ter uma história de maior envolvimento durante o quadro inicial da poliomielite. É uma associação clássica descrita na literatura sobre síndrome pós-pólio, e a FGV gosta justamente dessas relações clínicas entre gravidade inicial e sequelas tardias.